O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Barack Obama e o poder da internet

Deu na Adital:
Altamiro Borges *
Adital -
Para todos os que encaram as eleições de 2008 como decisivas no longo processo de acumulação de forças do campo popular e democrático, o texto do jornalista Rodrigo Savazoni, publicado no portal Terra Magazine, serve de alerta e, ao mesmo tempo, dá uma importante dica. Ele revela o papel determinante e até surpreendente que a internet tem jogado na campanha do candidato do Partido Democrata nos EUA. Para ele, já não há dúvida de que a campanha de Barack Obama "é o exemplo mais bem-sucedido do uso da internet para fins político-eleitorais".
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Para reforçar sua tese, ele cita o artigo "Conexão Obama", publicado em maio no The New York Times. "Obama é sedutor, grande orador, um sujeito com uma trajetória irrepreensível. Não fosse a internet, porém, ele nada seria", garante o autor Roger Cohen. Segundo a pesquisa, o candidato democrata já havia conquistado 1.276.000 doadores, 750 mil voluntários ativos e 8 mil grupos de afinidade. "Em fevereiro, quando sua campanha arrecadou 55 milhões de dólares (45 milhões via internet), 94% das doações apresentaram valores menores que 200 dólares". São números que impressionam e mostram a força da internet, inclusive na criativa captação de recursos.
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Resolução draconiana do TSE

O excelente texto de Rodrigo Savazoni tem enorme utilidade, principalmente para os candidatos do campo popular, que não contam com os fartos recursos dos representantes dos ricaços. É certo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na resolução de número 22.718, assinada pelo ministro Ari Pargendler, tentou sabotar o uso deste meio mais democrático de comunicação. Entre outros retrocessos, ela fixou as mesmas restrições já existentes à propaganda eleitoral na TV e rádio, que são concessões do Estado. Ela também impôs que os candidatos só poderão ter um único site na rede, não podendo usar várias ferramentas de contato e interação com os eleitores.
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Apesar das restrições draconianas, a internet deverá ter papel ainda mais sobressalente na batalha eleitoral deste ano. Na sucessão presidencial de 2006, ela já foi essencial para se contrapor às manipulações da mídia hegemônica. O próprio meio de comunicação no ciberespaço dificulta as medidas restritivas e possibilita que as idéias e propostas circulem mais livremente, interagindo com a sociedade. Atrativos e com qualidade, as mensagens podem atingir um grande universo de pessoas. Um vídeo de Obama, por exemplo, teve mais de 20 milhões de visualizações em poucos dias. Sem dúvida, a internet é um novo e poderoso instrumento de luta de idéias na sociedade.
* Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil Leiam na íntegra em http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=34587

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O Paraguai não pode ser uma ilha entre as outras nações

Deu na Agência Carta Maior:
Em Assunção, Carta Maior conversou com Fernando Lugo, candidato apontado como favorito para vencer as eleições presidenciais no Paraguai. Para Lugo, é fundamental consolidar a identidade política e realizar um processo transformador dentro do país.
Clarissa Pont
ASSUNÇÃO - Em um país onde a filiação ao Partido Colorado parecia ser sinônimo exclusivo de participação política, a coligação criada em torno do candidato Fernando Lugo garantiu, pela primeira vez em 60 anos, a dúvida sobre quem ganhará as eleições presidenciais deste ano. A Aliança Patriótica para a Mudança reúne sob uma mesma legenda nove partidos políticos e diversos movimentos sociais, sindicais e indígenas. O Partido Liberal Radical Autêntico, a segunda força partidária paraguaia depois da tradição colorada, forma esta frente com Federico Franco, candidato a vice-presidente.

As contradições entre a base popular que impulsionou a candidatura de Lugo e o partido do vice-presidente, para alguns, são capazes de inviabilizar um governo. De qualquer forma, Lugo e Franco estiveram juntos durante toda campanha e, em discursos, têm apoiado que a Aliança é uma força não apenas eleitoral, também política. Os dois candidatos seguem em primeiro lugar nas pesquisas de boca de urna realizadas esta manhã no Paraguai. Nesta entrevista, Lugo explica como se estabeleceriam as relações entre Brasil e Paraguai caso vença as eleições deste domingo e afirma que “pela primeira vez o país vive uma etapa importante da vida política, com características quase atípicas”.

Carta Maior – A Aliança Patriótica para a Mudança é um grande mosaico de partidos e movimentos. Como será o governo em caso de vitória?
Fernando Lugo – Pela primeira vez, nosso país vive uma etapa importante da vida política, com características quase atípicas. Primeiro, pela formação de uma grande Aliança Patriótica para a Mudança, com nove partidos políticos e vinte organizações sociais, campesinas, obreiras, sindicais e indígenas. Construímos a unidade na diversidade, queremos uma democracia apoiada no pluralismo, com um desafio grande. Sabemos que os processos sociais e políticos são lentos. Eu sempre digo que os irmãos uruguaios firmaram seu acordo político em 1973 e, apenas 30 anos depois, chegaram ao poder. Nós ainda nem completamos oito meses. Em 27 de agosto do ano passado, firmamos o acordo político de formação da Aliança. Com a candidatura de um ex-bispo que vem da experiência pastoral, dos movimentos sociais. E com o Partido Liberal e Federico Franco.

Juntos, queremos ratificar tudo que, em nossas bases programáticas, temos reafirmado durante a campanha. Para muitos, mudar a política paraguaia, porque esperaram mais de 60 anos para isso, é quase uma questão apocalíptica. Nós da Aliança queremos afirmar, sem nenhum trauma, que essa transição é genuína e que a faremos de portas abertas, com transparência, em um processo pacífico, sereno e maduro.

O Paraguai não pode seguir sendo uma ilha entre as outras nações. Estamos na sombra de dois grandes países, Argentina e Brasil, Paraguai tem de consolidar e construir sua própria identidade política em um processo transformador dentro do país. A Aliança reúne ideologias pluralistas e nosso grande esforço é construir a unidade dentro desta diversidade. Construir as colunas fundamentais da democracia com esses partidos diferenciados. Desde o primeiro momento, queremos ter relações com todos países, abertas, solidárias, diplomáticas, políticas, comerciais, sociais e culturais. E Paraguai, como país independente e soberano, terá que definir com clareza sua política exterior.
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Carta Maior – E o tema dos chamados brasiguaios?
Fernando Lugo – Creio que, entre as décadas de 60 e 70, começaram a chegar os primeiros imigrantes. Nós valorizamos muito o processo migratório e o vemos de maneira positiva. Os Estados Unidos não seriam o que são hoje sem a imigração inglesa, o sul do Brasil não teria todas suas características sem as imigrações. Assim é o Paraguai. Vemos com bons olhos o processo, quando os imigrantes vêm apostar no país e estabelecem-se de acordo com as leis nacionais. Os chamados brasiguaios já são paraguaios, porque tiveram seus filhos aqui, já há quase uma terceira geração onde estão então. Eles apostaram no país. E, se existem situações irregulares agora, em propriedade de terra ou documentação, vamos fazer tudo que for possível para as regularizações.
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Carta Maior – Como se estabeleceria o processo de Reforma Agrária no país?
Fernando Lugo – Quando percorremos o país, tivemos mais de 600 reuniões com diferentes partes da sociedade paraguaia, especialmente com o campo. Assim nasceu um imperativo de reforma agrária. É um dos eixos programáticos de consenso dentro da Aliança Patriótica. Nossa constituição nacional garante a propriedade privada, mas garante também que todos os cidadãos paraguaios devem estar assentados sobre sua terra própria. Temos umas 300 mil famílias sem terra, todas possuem o direito constitucional de assentar-se.

Estamos convencidos de que, apesar de o Paraguai não possuir uma história de reformas agrárias como têm outros países, tampouco acreditamos que exista um paradigma que se possa transportar de um país a outro, em termos de modelo. Precisamos ter clareza neste momento, sobretudo na elaboração do Cadastro Nacional de Propriedades, que ainda não temos. Infelizmente, nos anos 90, o governo recebeu um empréstimo do Banco Mundial de 40 milhões de dólares para fazer o necessário cadastro. Apenas entre 12 e 15% foi realizado.

O processo de reforma agrária que queremos instalar vai ser um modelo desenhado e consensual entre as diferentes partes da sociedade interessadas no tema. Chegou o momento no Paraguai de sentar e desenhar um modelo de reforma agrária que não seja traumático ou violento. Temos elementos que vieram dos movimentos campesinos e eles já têm uma proposta. O Partido Liberal tem outra. Queremos debater essas diferentes propostas em uma mesa de diálogo chegar juntos ao modelo de reforma agrária paraguaio.
Leia na íntegra em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14947
Foto de Eduardo Seidl no Blog Celeuma.

domingo, 20 de abril de 2008

Análise Pertinente

Deu no Vermelho:
por Eduardo Bomfim*
Em política é fundamental agir com a máxima paciência, prudência e, mesmo que pareça paradoxal, com uma boa dosagem de ousadia. Além do mais, é muito importante estar atento à realidade regional, sem perder de vista os movimentos nacionais que vão tecendo o concreto.
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Ou, até mesmo, o permanente movimento das forças na arena das contendas em curso, altera a estratégia, em função de situações inteiramente novas, que podem se apresentar no desenrolar das articulações.
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Existe no país, atualmente, um claro movimento de reestruturação da política de alianças, em condições distintas das eleições passadas, diferente das anteriores aglutinações na esquerda, centro e centro-esquerda.
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Fundamentado, analiticamente, Ênio juntou em texto, informações sobejamente conhecidas pela imprensa brasileira. O PT e o PMDB estão desenvolvendo um projeto de alianças para 2008 e possivelmente visando 2010, em 11 capitais do Brasil, podendo ampliá-la ainda mais. Sua fonte, inclui Maceió e está absolutamente correta.
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Aliás, eles estão em seu pleno direito democrático. E nem os comunistas são adversários do PT ou do PMDB. Estamos juntos no projeto nacional, aliados ao presidente Lula.

O PCdoB sempre defendeu a união das mais amplas forças políticas e sociais, efetivamente engajadas no projeto nacional de desenvolvimento econômico sustentável, com a inclusão social, emprego e renda, fortalecendo o mercado interno e reafirmando a soberania do país.
*Eduardo Bomfim, Advogado
Leia na íntegra em http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=36270

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Lugo e os novos ventos do Paraguai

Deu no Vermelho:
por Altamiro Borges*
A mídia tupiniquim, que sempre fez alarde com o drama dos sacoleiros de Ciudad del Este, não tem dado maior atenção à inédita mudança de ventos no vizinho Paraguai. Depois de 65 anos de violenta e corrupta hegemonia do oligárquico Partido Colorado, a eleição presidencial de 20 de abril pode resultar numa reviravolta política no sofrido país.
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O clima no país, segundo relatos de vários lutadores sociais, é de mudança e de forte esperança, o que confirma a guinada à esquerda na América Latina. Nem mesmo as manobras do governo, que concedeu anistia ao ex-militar populista para dividir os votos da oposição, parece ter surtido efeitos. Até setores conservadores, com forte influência na mídia, já dão como certa a vitória de Fernando Lugo, que montou uma ampla frente de centro-esquerda – que agrega desde o Partido Comunista até os nacionalistas do Partido Liberal Radical Autêntico. O maior temor, entretanto, é que ocorram fraudes nas eleições, o que é bastante comum neste país.

Fraudes dos colorados

Como alerta o jornalista Gilberto Maringoni, atento analista da situação latino-americano, o risco de roubo é real. “Praticamente tudo no país é controlado pelo Partido Colorado, criado em 1887. Dominando o executivo nacional, legislativo e judiciário, a influência da agremiação espalha-se por todas as localidades paraguaias. É voz corrente que ninguém consegue emprego, matrículas em escolas públicas, atendimento em postos de saúde ou prestar queixas em delegacias policiais se não apresentar sua ficha de filiação no partido. Integrantes das forças armadas também devem se filiar para ascender na carreira. Dos seis milhões de paraguaios, quase um terço formalmente é membro da agremiação. É uma máquina poderosíssima, para ninguém botar defeito”.
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O inflamável Tratado de Itaipu
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A coalizão que apóia Fernando Lugo entende que o acordo é lesivo e defende a “recuperação da soberania hidrelétrica”. Ela lembra que o preço de energia no mercado brasileiro passa dos US$ 80. Itaipu é responsável por 19% do PIB paraguaio, com ingressos nos cofres públicos de cerca de US$ 1,5 bilhão ao ano. Um reajuste nos preços – e não o rompimento do tratado, com alardeia a mídia terrorista – poderia representar importante alavanca para o desenvolvimento do país, um dos mais pobres do continente. Não é para menos que a proposta contagia os paraguaios e hoje é defendida, de formas variadas, por todos os candidatos. Ela não tem nada de esquerdista ou de provocadora; apenas prega o que o Brasil também deveria defender, a soberania nacional.
*Altamiro Borges, Miro é jornalista, Secretário de Comunicação do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição)
Leia na íntegra em http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=35172

sexta-feira, 28 de março de 2008

Judiciário brasileiro inventa a campanha eleitoral sem internet

Deu n'O Biscoito Fino e a Massa:
Por
Idelber Avelar

Numa mesa-redonda com a participação da editora Luciana Villas Boas, do escritor Paulo Cesar de Araújo e da advogada Deborah Sztajnberg que se realizará às 16 horas de sexta-feira, aqui em Tulane, como parte do congresso da BRASA, eu defenderei a tese de que a grande ameaça contemporânea à democracia brasileira é a inacreditável tacanhice, ignorância, atraso e reacionarismo do seu Judiciário. Que se critique o que for no Executivo e no Legislativo, mas que se reconheça: o Judiciário é hors-concours.

Considerando que a história recente do Judiciário brasileiro inclui os atos de proibir livros, condenar um blog por um comentário anônimo feito seis meses depois do post, lavrar sentença concedendo a um político o direito de resposta num blog extinto pela própria sentença, multar jornalista a priori por ofensa que pudesse vir a ser feita, impedir a divulgação de sentença do próprio judiciário e finalmente proibir joguinhos, eu não precisava de mais nenhuma munição para a intervenção nessa mesa-redonda em solidariedade ao grande pesquisador Paulo Cesar de Araújo. Não precisava, mas é claro que nestes casos, desgraça pouca é bobagem.

Acabo de ler a inacreditável resolução 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral, que regulamenta a campanha deste ano no Brasil. Não se fiem do meu resumo. Sigam o link e leiam por si próprios. O artigo 1 estabelece que a propaganda eleitoral nas eleições municipais de 2008, mesmo quando realizada pela Internet e por outros meios eletrônicos, seguirá o determinado pela resolução. Até aí, tudo bem. Daí em diante, começa o Febeapá.

O artigo 3 estabelece que a propaganda só será permitida a partir de 6 de julho. Se alguém resolver fazer campanha para seu candidato no seu próprio blog antes disso, vão fazer o quê? Tirar o blog do ar? Impugnar a candidatura? O artigo 18 é a pérola mais sensacional: a propaganda eleitoral na internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral. Em outras palavras? Ou eu já não entendo a língua portuguesa ou o Tribunal Superior Eleitoral acaba de proibir a campanha política na Internet, com a exceção de uma página para cada candidato. Está proibida, nos blogs, no orkut, no facebook, qualquer manifestação de preferência eleitoral que possa ser entendida como campanha.

A proibição refere-se, claro, a uma realidade sobre a qual ela não tem nenhum controle. A Internet continuará ignorando o Judiciário brasileiro – talvez não tanto como este a ignora, mas o suficiente para que suas resoluções continuem caindo no ridículo. Mas também me parece evidente que a repetida publicação de resoluções como esta vai criando aberturas judiciais para atos de supressão de opinião, justamente num momento em que a democratização proporcionada pela Internet revoluciona a experiência política em países da América do Norte e da Europa. Chega a ser comovente a ignorância dos togados brasileiros -- com raras e honrosas exceções -- sobre os princípios mais básicos de funcionamento da rede mundial de computadores. O problema é que eles insistem em querer regulá-la.

O TSE, no fundo, está dizendo: não permitiremos que apareça um Barack Obama por aqui. Cabe a nós dar o troco.

Extraído de http://www.idelberavelar.com/archives/2008/03/judiciario_brasileiro_inventa_a_campanha_eleitoral_sem_internet.php#comments acesso em 28 mar. 2008.

quarta-feira, 26 de março de 2008

TSE quer controlar campanha na Internet ...

Deu no Blog do Sérgio Amadeu:
Extraído de http://samadeu.blogspot.com/2008/03/tse-quer-controlar-campanha-na-internet.html acesso em 26 mar. 2008.
Sérgio Amadeu da Silveira é sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. É professor da pós -graduação da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero. Autor de várias publicações, entre elas: Exclusão Digital: a miséria na era da informação. Militante do Software Livre.
O TSE acaba de definir as condutas vetadas na campanha eleitoral de 2008. A grande novidade é que o Tribunal legisla sobre como deve ser a campanha no ciberespaço, transnacional e desterritorializado. A Internet é vista como um veículo broadcasting, como se fosse um canal de Rádio ou Televisão.

No artigo 18, da Resolução 22.718, que trata das restrições à campanha eleitoral na Internet, se lê: "A propaganda eleitoral na Internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral."

Impressinante. O TSE estaria proibindo a campanha em blogs, fotologs, youtube, perfis no twitter, no orkut (onde é possível encontrar mais de 50% dos internautas brasileiros), no Facebook, no MySpace e em outros sites de relacionamento? Tudo aquilo que a Internet permite de incentivo ao relacionamento estaria vetado?

O TSE quer limitar as possibilidades de interação, na campanha eleitoral, entre os candidatos e os cidadãos a um site que deve necessariamente estar vinculado a um determinado domínio? A riqueza da esfera pública interconectada, tão comentada por pesquisadores como Yochai Benkler e Lawrence Lessig, não estaria sendo suprimida com uma resolução tão limitadora?

A redação da resolução diz que "somente será permitida" a propaganda na Internet de um determinado modo ou tudo isto será como força de expressão? Como se tratasse da propaganda fixada em um outdoor estático, no parágrafo 3 do artigo 19 pode-se ler que os "domínios com a terminação can.br serão automaticamente cancelados após a votação em primeiro turno..."

Para que uma regulamentação tão autoritária? Por que esta tentativa de limitar formas originais de campanha na blogospehera e nos demais cantos do ciberespaço? Alguns poderiam responder "para coibir o poder econômico". Mas como bem apontou o Prof Benkler a diferença brutal entra a esfera pública dominada pelos mass media e a esfera pública interconectada, realizada, pela Internet, ocorre exatamente pela arquitetura de informação distribuída da rede, e, pela eliminação dos custos para se tornar um falante. Ou seja, uma resolução que deixa dúvidas sobre a possibilidade de uso das redes sociais, de sites como youtube, está negando as possibilidades gratuitas da rede. Assim está beneficiando o uso das mídias pagas, do braodcasting. Isto, sim, incentiva o poder econômico em detrimento de quem tem diálogo, relacionamento e audiência na rede.

É muito difícil legislar sobre as características da comunicação em redes digitais interativas. É preciso clareza. Esta resolução deveria garantir a liberdade de expressão, interatividade e uso legítimo de todo o potencial da web 2.0. Esta resolução não deveria ser um impeditivo do uso da inteligência coletiva, das práticas colaborativas, como recursos democráticos legítimos.

Será que o TSE poderia esclarecer melhor as proibições que pretende impor à campanha na Internet?

Um último comentário: Barack Obama, dificilmente chegaria onde chegou se tivesse que seguir uma resolução semelhante a brasileira. Sua campanha foi quase que totalmente feita a partir do Facebook.

A íntegra das Instruções e Resoluções das Eleições 2008 estão disponível no site do TSE:
http://www.tse.gov.br/internet/index.html

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL
RESOLUÇÃO No 22.718
INSTRUÇÃO No 121 – CLASSE 12a – BRASÍLIA – DISTRITO FEDERAL.
Relator: Ministro Ari Pargendler.

Dispõe sobre a propaganda eleitoral e as condutas
vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral
(eleições de 2008).
O Tribunal Superior Eleitoral, usando das atribuições que lhe
conferem o artigo 23, inciso IX, do Código Eleitoral e o artigo 105 da Lei
no 9.504, de 30 de setembro de 1997, resolve expedir a seguinte instrução:

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1o A propaganda eleitoral nas eleições municipais de
2008, ainda que realizada pela Internet ou por outros meios eletrônicos de
comunicação, obedecerá ao disposto nesta resolução.

Art. 2o O juiz eleitoral da comarca é competente para tomar
todas as providências relacionadas à propaganda eleitoral, assim como para
julgar representações e reclamações a ela pertinentes.

Parágrafo único. Onde houver mais de um juiz eleitoral, o
Tribunal Regional Eleitoral designará aquele(s) que ficará(ão) responsável(is)
pela propaganda eleitoral.

Art. 3o A propaganda eleitoral somente será permitida a partir
de 6 de julho de 2008, vedado qualquer tipo de propaganda política paga no
rádio ou na televisão (Lei no 9.504/97, art. 36, caput e § 2o).

§ 1o Ao postulante a candidatura a cargo eletivo é permitida a realização, na quinzena anterior à escolha pelo partido político, de propaganda intrapartidária com vista à indicação de seu nome, inclusive mediante a afixação de faixas e cartazes em local próximo da convenção, com mensagem aos convencionais, vedado o uso de rádio, televisão, outdoor e Internet (Lei no 9.504/97, art. 36, § 1o).

§ 2o A propaganda de que trata o parágrafo anterior deverá ser imediatamente retirada após a respectiva convenção.

§ 3o A partir de 1o de julho de 2008, não será veiculada a propaganda partidária gratuita prevista na Lei no 9.096/95 (Lei no 9.504/97, art. 36, § 2o).

§ 4o A violação do disposto neste artigo sujeitará o responsável pela divulgação da propaganda e o beneficiário, quando comprovado o seu prévio conhecimento, à multa no valor de R$21.282,00 (vinte e um mil duzentos e oitenta e dois reais) a R$53.205,00 (cinqüenta e três mil duzentos e cinco reais) ou equivalente ao custo da propaganda, se este for maior (Lei no 9.504/97, art. 36, § 3o).

Art. 4o É vedada, desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição, a veiculação de qualquer propaganda política na Internet, no rádio ou na televisão – incluídos, entre outros, as rádios comunitárias e os canais de televisão que operam em UHF, VHF e por assinatura –, e, ainda, a realização de comícios ou reuniões públicas (Código Eleitoral, art. 240, p. único).

(...)


CAPÍTULO IV
DA PROPAGANDA ELEITORAL NA INTERNET

Art. 18. A propaganda eleitoral na Internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral.

Art. 19. Os candidatos poderão manter página na Internet com a terminação can.br, ou com outras terminações, como mecanismo de propaganda eleitoral até a antevéspera da eleição (Resolução no 21.901, de 24.8.2004 e Resolução no 22.460, de 26.10.2006).

§ 1o O candidato interessado deverá providenciar o cadastro do respectivo domínio no órgão gestor da Internet Brasil, responsável pela distribuição e pelo registro de domínios (www.registro.br), observando a seguinte especificação: http://www.nomedocandidatonumerodocandidato.can.br, em que nomedocandidato deverá corresponder ao nome indicado para constar da urna eletrônica e numerodocandidato deverá corresponder ao número com o qual concorre.

§ 2o O registro do domínio de que trata este artigo somente poderá ser realizado após o efetivo requerimento do registro de candidatura perante a Justiça Eleitoral e será isento de taxa, ficando a cargo do candidato
as despesas com criação, hospedagem e manutenção da página.

§ 3o Os domínios com a terminação can.br serão automaticamente cancelados após a votação em primeiro turno, salvo os pertinentes a candidatos que estejam concorrendo em segundo turno, que serão cancelados após esta votação.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A esquerda e a eleição paulistana

Deu no Vermelho:
por Rodrigo Carvalho*
A esquerda paulistana está dividida nesta etapa das articulações políticas com vista à eleição paulistana. Essa constatação é acompanhada pela intensa movimentação das forças partidárias, que atuam para reforçar candidaturas, conquistar aliados, se posicionarem de modo a influenciar no processo de disputa e, finalmente, se posicionarem na conquista de espaços no legislativo e na gestão futura. A condição atual é a do diálogo amplo com as mais variadas forças políticas que atuam na metrópole.
[ . . . ]
O PDT lançou o nome do deputado federal e sindicalista Paulo Pereira da Silva, como elemento de debate entre os seus partidários e com o chamado Bloco de Esquerda, que reúne PSB, PCdoB, PMN e PRB. Paulinho da Força, já foi candidato a prefeito em 2004 e obteve 86 mil votos (1,4% da votação). Sua candidatura não depende tanto de alianças, já que pode trabalhar para manter sua base de apoio. O debate está em aberto e o movimento dos pedetistas parece mais para a composição com outras forças políticas.
[ . . . ]
O PCdoB entra como novidade na disputa, pois faz um movimento afirmativo de candidatura própria e se descola a aliança prioritária com o PT. O nome do deputado federal Aldo Rebelo é respeitado, precisa, contudo, se consolidar como alternativa neste grande jogo. É vital para Aldo a composição com outras forças políticas, em especial os partidos do Bloco de Esquerda e o PMDB. O ex-presidente da Câmara Federal é reconhecido como bom articulador político, figura de bom debate e comprometido com as causas populares. Pesa contra seu nome justamente o fato de nunca ter disputado um pleito majoritário e seu partido não reunir condições mais favoráveis para a disputa.
[ . . . ]
Será possível uma unidade da esquerda para a disputa paulistana ainda no primeiro turno?
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O PT, que deveria ser o maior promotor da unidade, faz sua opção ao centro através de novas alianças prioritárias. Outra questão importante é a postura hegemonista e muitas vezes arrogante dos petistas no pouco trato político. Ao fim e ao cabo, para o PT, a unidade não é o centro estratégico para a disputa eleitoral.

A eleição paulistana ruma para a apresentação de várias alternativas de esquerda, tendo ainda a chance de consolidar um novo bloco de partidos. A observação das idéias, opiniões, posturas e propostas farão a diferença entre esses concorrentes.

* Rodrigo Carvalho, Sociólogo, membro da direção estadual do PCdoB em São Paulo. Leia na íntegra em http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=33172

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Nós e o cansaço da superpotência

Deu no Blog do Alon:

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje (08/01/2008) no Correio Braziliense.

Decadência material combinada a angústias existenciais, tudo indica que o vento contestatório é sintoma de que vem aí um ciclo isolacionista na política americana. “America first”, como diria Mike Huckabee

Por Alon Feuerwerker
alon.feuerwerker@correioweb.com.br

O vento anti-establishment começa a soprar com força na sucessão presidencial americana. Hoje é dia de decisão nas primárias de New Hampshire. Uma nova derrota deixará a democrata Hillary Rodham Clinton em situação ainda mais difícil. Aritmeticamente, ela vai bem. O problema é que Barack Obama ameaça virar uma onda. Do lado republicano, a antes aparentemente favorita candidatura de Rudolph Giuliani dá sinais crescentes de debilidade. O sonho de uma disputa “novaiorquina” vai ficando cada vez mais distante e improvável.
[ . . . ]
Quais são as raízes da contestação nos Estados Unidos? Uma pergunta a fazer é se a sociedade americana não estaria dando sinais de desagrado e esgotamento diante do custo de seu país manter-se como superpotência. Depois do ataque às torres do World Trade Center em 11 de setembro de 2001, a explosão dos gastos militares na gestão republicana aposentou a política de responsabilidade fiscal posta em prática pelos democratas. E a bomba-relógio dos déficits gêmeos (externo e fiscal) continua seu tique-taque, com a previsível conseqüência sobre o dólar, cada vez mais fraco.
[ . . . ]
Analistas respeitados apontam que os ventos anti-establishment sopram também a partir da insatisfação popular com os sinais de declínio do poder nacional. Há dúvidas e frustração sobre os custos e os resultados das guerras no Afeganistão e no Iraque, sobre a incapacidade de desnuclearizar o Irã e a Coréia do Norte, sobre a fragilidade financeira desencadeada pela crise do mercado imobiliário, sobre o alto preço do petróleo, etc.
[ . . . ]
E o Brasil? Diante desse cenário, será prudente afastar a latente tentação de voltar as costas aos vizinhos e colocar as fichas no aprofundamento das relações bilaterais com Washington. É uma cantilena atlantista que volta e meia ressurge das entranhas do Itamaraty, permanentemente consumido pela luta interna entre terceiro-mundistas e americanófilos. Que estes últimos nos perdoem, mas o mar não está para o peixe que tentam nos vender.

Melhor a gente se entender bem com a vizinhança e aprofundar a integração comercial, política e militar. Vamos olhar legal a nossa casa e assumir com responsabilidade nosso papel de potência regional, cuidando sempre de não melindrar coadjuvantes como a Argentina. A América do Sul é um continente livre do terrorismo e das armas de destruição em massa. Um continente que cresce em paz e na democracia. Preservemos esse statu quo. Parece a atitude mais prudente e adequada ao que parece vir por aí, no grande irmão do norte.


Acrescento no blog: para uma interessante e bem-humorada caracterização dos candidatos à eleição nos Estados Unidos, vale ler o post Eleições americanas: um ABC, do Idelber Avelar, no blog O Biscoito Fino e a Massa.

Leia na íntegra em http://blogdoalon.blogspot.com/2008/01/ns-e-o-cansao-da-superpotncia-0801.html

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Miguel e Manu: Vamos trabalhar por essa aliança?

Deu no blog Palanque do Blackão:
Por Hélio Sassen Paz


Depois de ter escrito que minha candidata à Prefeitura de Porto Alegre em 2008 seria a Manuela, acho mais sensato abraçar a causa do Jean Scharlau e do Carapuça. Do contrário, apesar dos pesares, de tantas denúncias que o RS Urgente, o próprio Carapuça, o Agente 65, o Buracos da Baltazar e o Buracos de POA têm apurado, infelizmente, acho que Fogaça vai ser bi. :”(
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Primeiro: a mídia golpista está mais a favor do Fumaça do que nunca, omitindo e minimizando problemas de sua gestão como nunca e supervalorizando uma quantidade ínfima de realizações voltadas para o bem comum com a maior desfaçatez. Nunca se viu isso no RS, nem mesmo na ditadura militar. Com o escabroso arrendamento da Usina do Gasômetro, um espaço público, artístico e plural, símbolo da Administração Popular agora desconstruído, assim como o fora o Largo da Epatur na comemoração da eleição do evaporante ex-senador em função da sede do PTB ficar exatamente ali, a RBS consegue, mais uma vez, levantar sua bandeira, aprumando a sua ponta para cravá-la e tomar posse da nossa capital;
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Terceiro: étnica e religiosamente, o RS é o estado mais reacionário, conservador e racista do país.
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Conseqüentemente, se nós, blogueiros, não tivermos um papel preponderante pela união das esquerdas e pelo esclarecimento do nosso público em relação às mazelas das administrações Fumaça (como diz o Agente 65) e Azeda (como eu digo mas não publico pra não me incomodar; prefiro Narizinho, como dizem o Jean Scharlau e o próprio Agente) além de uma espécie de dossiê da RBS, não há a menor possibilidade de que o quadro ano que vem seja muito diferente da seguinte descrição:

- 1º TURNO: Fumaça, Manu e Rossetto - a RBS e a latifundiária e crente Record irão azucrinar dizendo que não houve nenhum conflito na administração Fumaça e que ele é um cara experiente e ponderado, que “uniu” a cidade. Manu aparecerá como a “namoradinha do RS” e como a “rainha dos ‘altinhos’” e representante da “juventude gaúcha”. Rossetto, por sua vez, será vinculado ao Governo Lula, ao MST e não haverá a menor possibilidade de alguém falar bem dele ou do PT na mídia gaúcha. Iriam para o 2º turno Fumaça e Manu. Aí, eles começariam a usar imagens de discursos dela com uma gurizada em volta, onde o Lasier Martins a compararia com algum populista barato, dizendo que falta o eleitorado “amadurecer”. Aos poucos, enquanto ela estiver pau a pau nas pesquisas com Fumaça, começa a exploração do PC do B - “ELA É COMUNISTA!”
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Então, é fundamental que trabalhemos para que ela (que seria minha candidata a prefeita caso o vice fosse do PT) convença o seu partido a compor novamente a Frente Popular. Ela mesma precisa ter só mais quatro anos de paciência para atingir sua ambição do momento, que é encabeçar a chapa rumo ao Paço Municipal.
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Então, o PT deveria, pela primeira vez na história, aceitar ter um candidato a prefeito com uma vice de outro partido, assumindo o compromisso de ser vice dela daqui a quatro anos. O partido está muito queimado para aparecer como protagonista. Então, deveria aprender um pouquinho de marketing político uma vez na vida para que as lideranças façam trégua na sua eterna disputa por vaidade e por ambição e ordene que a militância faça a campanha.
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Mas que tudo o mais fique nas mãos da militância do PT, na gurizada que ama a Manuela e nos pedetistas e pessebistas, que têm maior penetração junto ao eleitor mais velho.

Leia na íntegra em http://heliopaz.wordpress.com/2007/09/11/miguel-e-manu-vamos-trabalhar-por-essa-alianca/
Nota:
O blog Discuta Política Também apóia a candidatura de Manuela d'Ávila à prefeitura de Porto Alegre em 2008 e participa da comunidade do Orkut Manuela Prefeita 2008.

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