O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A geografia moral do senador Pedro Simon

Deu na Agência Carta Maior:
Conhecido nacionalmente por sua cruzada contra a corrupção e em defesa da moralidade pública, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) pouco tem a dizer sobre as denúncias de corrupção envolvendo correligionários e aliados políticos no RS. Na geografia moral do senador, seu Estado parece não existir.
Marco Aurélio Weissheimer

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) é conhecido nacionalmente por sua cruzada contra a corrupção e pela defesa da moralidade pública. A retórica inflamada do senador gaúcho na tribuna do Senado é cantada em prosa e verso por seus correligionários, eleitores e admiradores.

Um estranho fenômeno, porém, atingiu o senador desde novembro de 2007, quando a Polícia Federal desencadeou a Operação Rodin no Rio Grande do Sul. A operação prendeu uma quadrilha acusada de desviar recursos públicos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) no Estado. Para surpresa da população gaúcha, figuras até então respeitáveis da política local foram denunciadas como chefes da quadrilha, dando início a uma grave crise que atingiu em cheio o governo de Yeda Crusius (PSDB).
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Atendendo a pedido da Procuradoria Geral da República, o Supremo Tribunal Federal autorizou a investigação de ilustres integrantes do PMDB gaúchos, acusados de envolvimento com um esquema de fraude na prefeitura de Canoas, administrada pelo tucano Marcos Ronchetti.
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O silêncio do senador acabou tornando-se ensurdecedor e ele acabou falando. Na manhã de 9 de setembro, em entrevista à rádio Gaúcha, Simon criticou as investigações considerando “infeliz” o momento em que ocorrem, referindo-se ao período das eleições municipais. “Esse problema de Canoas está aí há dois anos. Não é feliz iniciar uma discussão que nem essa há 30 dias da eleição. Podia ter tirado da gaveta há um ano e esse assunto já teria sido discutido”, disse o senador, que não tomou nenhuma iniciativa para “tirar esse assunto da gaveta” há um ano.
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Em uma conversa gravada por Paulo Feijó, Busatto afirmou que o Banrisul seria utilizado pelo PMDB para financiar campanhas eleitorais no Estado. A revelação do conteúdo da conversa provocou a demissão de Busatto e quase decretou o fim do governo Yeda que chegou a criar um gabinete de transição para iniciar um “novo governo”.
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Segundo Paulo Feijó, em 2006, o Banrisul teria repassado R$ 24 milhões para a Faurgs. No mesmo período, porém, teria sido contabilizada a entrada de apenas R$ 6 milhões na fundação. Uma empresa terceirizada que prestaria serviços exclusivamente para a fundação teria recebido o restante. Feijó disse que sua denúncia estava baseada em um documento resultante das investigações feitas pelo Ministério Público. Ele entregou esse documento à governadora Yeda Crusius.
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As novas denúncias envolvendo importantes lideranças do PMDB gaúcho obrigaram Simon a se manifestar mais uma vez. Os brasileiros que assistem aos discursos do senador na TV certamente estranhariam a sua crítica às investigações pelo fato de elas ocorrerem em um ano eleitoral. Em Brasília, o senador nunca fez essa reserva em seus discursos contra corruptos e corruptores. E a denúncia envolvendo peemedebistas gaúchos pode expor um desvio de recursos públicos três vezes superior aquele descoberto pela Operação Rodin, no Detran.
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O senador também foi indagado sobre se pediria o afastamento dos envolvidos de seus cargos (Padilha é secretário geral do PMDB gaúcho, Alceu Moreira é presidente da Assembléia e Marco Alba é secretário de Estado) como costuma fazer em Brasília quando ocorrem denúncias envolvendo integrantes do governo federal. Ao responder a pergunta, a retórica inflamada de Simon deu lugar a uma declaração evasiva: “A gente está na expectativa de saber o que está acontecendo”.

A mesma expectativa é compartilhada pela população do Rio Grande do Sul, que também quer saber o que está acontecendo. O senador disse que tinha conhecimento dos “assuntos de Canoas” há dois anos. No entanto, nada fez neste período. Nenhum pronunciamento, nenhuma denúncia, nenhum pedido de esclarecimentos, nenhum pedido de afastamento. Na geografia moral de Pedro Simon, o Estado que ele representa no Senado parece não existir.
Marco Aurélio Weissheimer
é jornalista da Agência Carta Maior
(correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)
Leia na íntegra em http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3975

domingo, 8 de junho de 2008

O governo Yeda Crusius é uma vergonha

Deu no RS URGENTE:
Por Marco Aurélio Weissheimer
O governo Yeda Crusius é uma vergonha para o Estado do Rio Grande do Sul. A inacreditável sucessão de escândalos e denúncias a que o povo gaúcho assiste nos últimos meses revela um governo fraco moral e politicamente.

É um governo onde a governadora não fala com o vice-governador.

É um governo onde o chefe da Casa Civil tenta comprar a posição do vice-governador.

É um governo onde o vice-governador grava uma conversa com o chefe da Casa Civil para denunciá-lo.

É um governo onde o chefe da Casa Civil chama o vice de canalha e mau-caráter.

É um governo onde aliados da governadora a chamam de sem-vergonha. E nada acontece.

É um governo onde secretários de Estado negociam, combinam festas e tomam chopp com acusados de integrar uma quadrilha que roubou mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos.

É um governo onde os partidos de sustentação da governadora, nas palavras do chefe da Casa Civil, utilizam empresas públicas para financiar campanhas eleitorais e para comprar maioria no Parlamento.

É um governo que, diante de graves denúncias de corrupção, com provas materiais eloqüentes, emudece, se esconde e, através de seu patético porta-voz, afirma não existirem fatos relevantes.

É um governo onde a governadora foge da imprensa e do povo.

É um governo onde a governadora não tem coragem de prestar contas sobre seus atos e de seus aliados, mas tem coragem de fechar escolas, demitir funcionários públicos e mandar a polícia bater em manifestantes.

É um governo que privatiza o meio ambiente e hipoteca o futuro.

É um governo onde seus aliados e padrinhos (como o inacreditável senador Pedro Simon, que foi incapaz de pronunciar uma palavra sobre todos esses escândalos) não tem mais coragem de defendê-lo e abandonam o navio em número cada vez maior.

É um governo cujo modus vivendi é a dissimulação e a covardia.

É um governo que chegou ao fim.
Extraído de http://www.rsurgente.net/2008/06/o-governo-yeda-crusius-uma-vergonha.html acesso em 08 jun. 2008.

domingo, 11 de maio de 2008

O intrépido Coronel Mendes

Deu na Agência Carta Maior:
No Rio Grande do Sul, subcomandante da Brigada Militar mobiliza um pequeno exército para reprimir MST e mobilizações de movimentos sociais. Defensor da pena de morte e da reação a assaltos por parte dos cidadãos, o coronel Paulo Mendes também é autor da máxima: "bandido tem que ir pro paredão mesmo".
Marco Aurélio Weissheimer
Os fatos relatados a seguir estão virando uma rotina no Rio Grande do Sul, Estado considerado por alguns como um dos mais politizados e civilizados do país:

Por volta das 13h, vários policiais começaram a se retirar da São Paulo 2. Mesmo assim, a identificação dos sem-terra continuou. No retorno, ruralistas que estavam na RS-630 saudaram o coronel Mendes, que desceu do carro para cumprimentá-los.
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O relato acima é do jornalista Homero Pivotto Jr., do jornal Diário de Santa Maria, em matéria publicada dia 9 de maio sobre a operação de guerra que a Brigada Militar montou, no dia anterior, para revistar um acampamento de sem-terra no município de São Gabriel, Fronteira Oeste do Estado. Ao justificar o aparato de 700 homens, cães, cavalos, computadores, comunicação via satélite e helicóptero, o coronel Paulo Mendes, subcomandante da Brigada, disse que era “para a segurança de todos”. Sobretudo para os ruralistas que o saudaram como a um herói, ao final da ação.

Denúncias de autoritarismo, humilhação e sadismo

Já para os deputados Adão Pretto e Dionilso Marcon, do PT, não há nenhuma razão para saudar a atuação de Mendes e sua tropa. Pelo contrário. Segundo o relato dos parlamentares, que tentaram sem sucesso entrar no acampamento, a ação da Brigada Militar foi marcada pelo autoritarismo, pela humilhação dos sem-terra com requintes de sadismo e pela violação dos direitos humanos. Eis um trecho do relato dos parlamentares, que foram ameaçados fisicamente e agredidos moralmente pelos ruralistas da região, quando chegaram na área para tentar acompanhar a ação da Brigada:
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Começaram lentamente, rasgaram barraco a barraco de cada agricultor. Após, de forma sórdida, colocaram pás de terra nas panelas com a comida cozida, inutilizando dezenas de quilos de arroz e de feijão. O restante da alimentação foi levado pela BM, tornando esse sim, ato criminoso.
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Segundo os sem-terra relataram aos parlamentares, em um determinado momento, o helicóptero da Brigada ficou a poucos metros do solo e, num gesto teatral bem ao gosto do coronel Mendes, do seu interior saiu uma bandeira do Rio Grande do Sul. Dionilso Marcon anunciou que denunciará o governo Yeda aos organismos internacionais de Direitos Humanos e detalhará todos os casos de violação do direito à vida praticada pelo governo gaúcho.

A “filosofia” do coronel Mendes

Considerado uma espécie de “Capitão Nascimento” dos Pampas, o coronel Paulo Mendes é conhecido também por suas declarações polêmicas. Como subcomandante da Brigada Militar, já defendeu a pena de morte e a ida de bandidos para “o paredão”. Além disso, em 2007, defendeu que os cidadãos deveriam começar a reagir aos assaltos, contrariando as recomendações da própria polícia que não aconselham esse tipo de comportamento.
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A tropa do coronel Mendes tem, de fato, proporcionado "muita ação" à vida política gaúcha.

Marco Aurélio Weissheimer é jornalista da Agência Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)
Leiam na íntegra em http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3883

Vejam também: São Gabriel: relatos de um campo de concentração

sábado, 12 de janeiro de 2008

Um ano de Yeda Crusius: qual o balanço?

Deu na Agência Carta Maior:
O governo Yeda Crusius foi eleito com um discurso baseado em três conceitos: novo jeito de
governar, fazer mais com menos e transparência na gestão. Ao final do primeiro ano, esses três
conceitos foram bombardeados pelos próprios atos do Executivo.
Marco Aurélio Weissheimer

Quando Yeda Crusius (PSDB) assumiu o cargo de governadora do Estado no dia 1° de janeiro de 2007,
em uma cerimônia realizada no Palácio Piratini, ocorreu uma pequena gafe com a bandeira do
Rio Grande do Sul, sem maiores repercussões. Yeda foi comemorar a posse, na sacada do palácio,
com uma bandeira do RS nas mãos. Com as duas mãos, mostrou-a a seus apoiadores que estavam
na rua. A bandeira estava virada de cabeça para baixo. Se olharmos para esta cena hoje, ela
aparece como um símbolo profético do que estava por vir nos próximos meses.
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Logo após a campanha eleitoral, Feijó denunciou que havia sido censurado durante a campanha
e impedido de expressar suas opiniões favoráveis às privatizações. Na campanha, reproduzindo o
discurso utilizado pelo candidato tucano à presidência da República, Geraldo Alckmin, Yeda Crusius
prometeu que não iria privatizar patrimônio público no RS. Além disso, prometeu que não iria
propor aumento de impostos, dizendo que essa era uma prática do “velho jeito de governar”.
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As marcas do novo jeito de governar
O atual governo foi eleito com um discurso baseado em três conceitos: novo jeito de governar,
fazer mais com menos e transparência na gestão pública. Ao final do primeiro ano, esses três
conceitos foram bombardeados pela realidade dos próprios atos do Executivo. O “novo jeito de
governar” acabou traduzido por uma sucessão de conflitos em áreas estratégicas do serviço
público: Segurança, Educação e Meio Ambiente.
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A fragilidade maior do principal conceito do governo Yeda acabou revelando-se mesmo na relação
que estabeleceu com sua própria base aliada na Assembléia Legislativa. A derrota estrondosa que
o governo sofreu na segunda tentativa de aprovar uma proposta de aumento de impostos, em
novembro de 2007, escancarou a incapacidade do Executivo de fazer valer a maioria que tem no
Parlamento.
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“Fazer mais com menos”
O conceito de “fazer mais com menos” também sai enfraquecido ao final do primeiro ano de
governo. A queda na qualidade dos serviços públicos, motivada pelo corte linear de 30% no
orçamento de todas as secretarias, transformou o Palácio Piratini em um palco de protestos de
servidores públicos.
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“Transparência na gestão”
Por fim, o conceito de “transparência na gestão” chega ao final do ano torpedeado pelo escândalo do
Detran. A Operação Rodin, desencadeada pela Polícia Federal, revelou um esquema de corrupção,
que teria iniciado ainda durante o governo Rigotto, que causou um prejuízo de pelo menos R$ 40 milhões
aos cofres públicos. Entre os presos na operação, nomes importantes do governo, como Flávio Vaz Neto
(presidente do Detran) e Antônio Dorneu Maciel (diretor financeiro da CEEE), e um dos ex-coordenadores
financeiros da campanha de Yeda, o empresário Lair Ferst.
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* Publicado originalmente no jornal Extra-Classe, do Sindicato dos Professores do RS (Sinpro)
Marco Aurélio Weissheimer é jornalista da Agência Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)
Leia na íntegra em http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3803

sábado, 15 de setembro de 2007

O que podemos aprender com Renan Calheiros

Deu na Agência Carta Maior:
A presença dominante do nome “Renan Calheiros”, e dos eventos que orbitam em torno dele, no debate político do país nas últimas semanas é, por si só, um eloqüente sinal de alerta. Aponta para um pântano imobilizador de onde podem sair novas deformidades.
Marco Aurélio Weissheimer

Em seu livro “Às portas da revolução” (Boitempo Editorial), Slavoj Zizek tomou o exemplo da eleição de Berlusconi na Itália para sustentar o papel fracassado da moralidade na política. Ele escreveu: “Sua vitória é uma lição deprimente sobre o papel da moralidade na política: o supremo desfecho da grande catarse moral-política – a campanha anticorrupção das 'mãos limpas' que, uma década atrás, arruinou a democracia cristã, e com ela a polarização ideológica entre democratas cristãos e comunistas que dominou a política italiana no pós-guerra – é Berlusconi no poder”.
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Isso quer dizer, então, que o negócio é o “locupletem-se todos”? Obviamente que não. E o emprego do advérbio aqui não é um exercício retórico, mas uma conseqüência lógica. Um dos principais elementos que está na base do fracasso dos discursos e experimentos moralistas citados acima é que eles jamais foram expressões de uma concepção de algo que mereça ser chamado de espírito público. Sempre foram, ao contrário, manifestações de moralidade seletiva – e, portanto, hipócrita – que, necessariamente, precisam esconder seu real objetivo: o poder político.

O território da política e a democracia

Há dois alertas importantes na afirmação de Zizek, segundo a qual a vitória de Berlusconi é uma lição deprimente sobre o papel da moralidade na política. O primeiro consiste em nos lembrar que o território da política é, fundamentalmente, o território do poder, e que cruzadas moralistas na política costumam ser capitaneadas por moralistas de resultados. Essa é uma das razões singelas que explicam seus retumbantes fracassos, do ponto de vista do avanço da democracia. O segundo interroga diretamente a tradição da esquerda que, nas últimas décadas, flerta com a possibilidade de uma terceira via.
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Mas há uma perspectiva muito mais sombria no horizonte, acrescenta o filósofo esloveno: “um mundo no qual o domínio ilimitado do capital será suplementado não pela tolerância esquerdista-liberal, mas por uma típica mistura pós-política de espetáculo de pura publicidade e preocupações da Moral Majority (lembremos que o Vaticano deu apoio tácito a Berlusconi)”.

Mocinhos, bandidos e um pântano

O caso Renan Calheiros parece ilustrar bem esse cenário sombrio delineado por Zizek. Ele é sombrio em vários sentidos. O senador alagoano é um típico representante do que há de pior na política brasileira. Entre os que queriam sua cassação, há outros tantos da mesma estirpe. O problema, portanto, não é discutir quem são os mocinhos e quem são os bandidos.
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E quais são as disputas política que estão, de fato, em jogo? Uma delas é a agenda eternamente adiada da necessidade de democratização do Estado. O enfrentamento do patrimonialismo, da apropriação privada da esfera pública e da transformação da política em um balcão de mercadorias (e de emendas parlamentares). Nada disso começou no atual governo, mas este não está conseguindo fazer este enfrentamento.
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Um dos problemas que deveria merecer nossa atenção, então, não é propriamente quem livrou Calheiros da cassação, mas sim como é possível que figuras como ele sigam tendo poder na República, seja qual for o governo. Como é possível que se apresente como baluarte da ética essa mistura grotesca de pseudo-moralismo, dissimulação política e espetáculo que anima muitos daqueles que querem cortar o pescoço dos Calheiros da vida hoje para resgatá-los logo ali adiante.

Denunciar os termos desta equação e expor sua verdadeira natureza talvez seja um caminho para sair do pântano. Caso contrário, poderemos estar alimentando o surgimento de novos “Berlusconis”, aprendendo uma nova e deprimente lição e assistindo a repetição de espetáculos melancólicos.
Marco Aurélio Weissheimer é jornalista da Agência Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com) Leia na íntegra em http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3721