O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
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terça-feira, 10 de junho de 2008

Gabinete de Transição: arreglo para evitar impeachment

Deu na Biruta do Sul:
Jeferson Miola
A idéia da Governadora Yeda Crusius de criar o “Gabinete de Transição” até que se consiga formar um “Gabinete de Governo” de tipo “parlamentarista” com personalidades “acima de qualquer suspeita”, é uma evidência clara de que a situação da Governadora e do governo ficou insustentável.
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A decisão é também sinal claro de que o conservadorismo gaúcho busca o enquadramento da “sua classe” em torno de um projeto que possa representar a salvação do que resta. Uma coisa é certa: deixar se consumar a queda da Governadora poria muita água no moinho do PT e praticamente asseguraria a vitória eleitoral em 2010 por antecipação. Esse é um divisor de águas que parece ter sensibilizado até mesmo os setores partidários recalcitrantes, que nos últimos dias pendiam entre a posição de ruptura com o governo ou de continuidade crítica na base de apoio.
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Apesar do rescaldo dos acontecimentos da semana passada, a iniciativa de blindagem da Governadora – um gesto importante de obstrução do caminho do impeachment – altera qualitativamente a conjuntura, desta vez em favor do governo. A governadora ganha, assim, sobrevida na UTI do hospital político.
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A disputa pela abertura do impeachment não é partidária, porque deve ser uma luta cívica, que deve buscar o alinhamento da intelectualidade, do parlamento, dos movimentos sociais, da OAB, CNBB, Igrejas, ARI, dos Deputados Estaduais e de todos aquelas pessoas que querem recuperar um sentido de decência na política gaúcha. A tarefa primordial é produzir referências objetivas e subjetivas que animem o amplo movimento com tal amplitude e expressão social - única maneira de evitar que a mídia que vem atuando dignamente na repercussão deste episódio, capitule ao arreglo em curso.

Leia na íntegra em http://birutadosul.blogspot.com/2008/06/gabinete-de-transio-o-primeiro-arreglo.html

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

E “la nave vá”

Deu no blog Biruta do Sul:

Se é verdade que o IIIº Congresso do PT frustrou muitas expectativas alimentadas quanto à mudança de orientação partidária, também não se pode afirmar que o encontro tenha sido um completo desastre.

O PT apenas perdeu uma chance importantíssima [mais uma] do próprio calendário partidário-institucional. O que pode significar muito na presente circunstância de sua história. É bem provável que em função dos sentimentos de desencanto e desilusão que assomam boa parte da militância petista e da base social do Partido, o resultado do Congresso, em prazo não maior que médio, cobrará um preço alto. Talvez o preço da própria subsistência do PT enquanto alternativa transformadora de esquerda capaz de empolgar vanguardas e multidões.

Se há uma verdade incontornável emanada do IIIº Congresso é quanto à correlação de forças, que conserva a maioria dirigente e o controle da máquina partidária em mãos do Campo Majoritário, que com suas políticas e práticas vem conduzindo o PT a um processo acelerado de degeneração. Esse dado não pode ser subestimado. E poderá dizer muito sobre o futuro reservado ao PT.

Neste sentido, é incompreensível a predileção da esquerda petista em atacar-se mutuamente ao invés de unir-se para enfrentar de maneira coesa o Campo Majoritário nas disputas subsequentes, a começar pelo Processo de Eleições Diretas [PED]. É difícil, neste contexto, compreender-se os textos de autorias de dirigentes da Democracia Socialista e da Articulação de Esquerda se engalfinhando gratuitamente e a partir de aspectos rigorosamente acessórios a respeito do Congresso do PT.

Fariam melhor se se empenhassem nas tarefas fundamentais que têm pela frente enquanto duas das principais forças de esquerda do PT. A começar pelo PED, marcado para dezembro próximo. Não há chance de retomada do PT pela esquerda sem uma unidade programática e de ação nucleada a partir dessas duas forças internas da esquerda do PT.

Persistir nessa prática demarcatória e sectária significa persistir contrariando os interesses não só da esquerda petista, mas do conjunto da esquerda brasileira. Enquanto isso continuar acontecendo, estarão contribuindo para que “la nave” – leia-se, o Campo Majoritário – “”.

ESCRITO POR JEFERSON MIOLA ÀS 2:53:00 PM