O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
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domingo, 17 de fevereiro de 2008

O Cognitariado está chegando! Quê?

Deu na Carta Capital:
Ivana Bentes
O que está por trás dessa recente conversão das TVs abertas em "defensoras do conteúdo
brasileiro contra a pirataria"? Afinal de contas, a melhor defesa desses conteúdos seria exibir nossos
filmes, vídeos, a produção independente na TV aberta comercial, de forma sistemática.
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Nas campanhas da TV contra a pirataria (DVD pirata, software pirata, rádio pirata!!!) , na novela
das oito, nos editoriais, a mídia tenta angariar simpatia dos criadores e produtores de cultura,
supostamente "lesados" em seus direitos autorais, com uma estratégia bem pouco inteligente, que
se recusa discutir o que tem que ser discutido: a crise estrutural do capitalismo da exclusividade e
da restrição da produção e circulação de bens culturais, que de “escassos e caros” agora podem ser
produzidos e reproduzidos aos milhares em DVDs, CDs, MP3, MP4, digital.
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Camelôs, artistas, estudantes, programadores, profissionais da informação, designers, formam o
novo “precariado”, ou melhor, o novo “cognitariado”, pois trabalham com a produção “imaterial” e
difusão de conhecimentos, um valor que pode ser partilhado pela multidão, por qualquer um.
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Mas como criminalizar downloads de música quando milhares de Ipods são distribuídos em palito
de picolé? Com zilhões de gravadores e duplicadores de DVDs e CDs, câmeras na mão de cada vez
mais gente? Quem vai pagar R$ 50 reais quando um CD ou DVD virgem custa centavos?
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Afinal, os primeiros a desqualificar o direito autoral são as gravadoras, as editoras, as TVs que
pagam pouco aos criadores e lucram muito. A pirataria, a cópia, a circulação social, já está (ou
deveria estar) embutida nos lucros da indústria,
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O preço abusivo dos produtos culturais atuais tem a ver com a forma antiga de produção, fordista,
agigantada, fabril. Mas a fábrica tradicional está em crise, acabou. Nos Estados Unidos, o sistema de
estúdios, os contratos de exclusividade com atores, faliu nos anos 50! Não pode vender produto
com preço da fábrica capitalista fordista, num sistema em que toda a produção barateou. Menos o
produto final!
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A propriedade intelectual e o direito autoral não vão acabar, vão ter que ser repensados! Estão em
crise no capitalismo da reprodutibilidade técnica, no capitalismo do imaterial, em que é barato
produzir. É barato fazer circular! É barato copiar e compartilhar.
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Ou seja, como criminalizar toda uma cultura nova, do compatilhamento da duplicação, da difusão,
como isso pode ser "ilegal"?
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Ciberativismo, Copyleft, Cognitariado, Precariado, Cultura Livre, livres capturas pelas redes....
dispositivos, estética, essas são algumas das senhas de acesso para a coluna que está começando.
Pode logar!
*Ivana Bentes é pesquisadora da Escola de Comunicação da UFRJ,
participa da rede Universidade Nômade
Leia na íntegra em
http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=123

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A luta em Tropa de Elite e a luta pela cultura livre

Deu no Webinsider:
Opinião: ao perceber que a internet e os CDs não atrapalharam o sucesso de Tropa de Elite (podem ter ajudado), vale discutir a questão difusa sobre o que é pirataria e o que é informação livre.
Por Gilberto Alves Jr.


Depois da entrevista do Mano Brown ao programa Roda Viva, resolvi ouvir toda a discografia dos Racionais. Coloquei tudo no iPod e fiquei mais de uma semana, só ouvindo o retrato deles da periferia paulistana.
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Mas Tropa de Elite retrata algo muito mais próximo da realidade da periferia dos grandes centros urbanos, como disse o Chico Buarque: a periferia da periferia da periferia.

Um soco na cara

Eu cheguei a ficar literalmente enjoado, não sei se por causa da violência, da câmera chacoalhando, ou do gnocchi com muito queijo que comi no Spoleto. Diferentemente de Cidade de Deus, o filme não é bonito. É feio. Não tem poesia. É um soco na cara da gente. Ao ver a ação do Bope, percebi que será muito mais difícil e levará muito mais tempo para mudar certas coisas no Brasil do que eu jamais imaginaria.

A internet ajudou o filme a ser um sucesso

Como disse Michel Lent aqui no Webinsider, “Levando em consideração que a bilheteria do cinema é parte impulsionada pelas campanhas de marketing, mas principalmente alavancada pelo boca-a-boca, Tropa de Elite já contaria neste momento com milhões de “agentes” de marketing. Quem viu a versão pirata diz que o filme é muito bom; boa parte, inclusive, quer ver novamente no cinema. Se metade dos três milhões de espectadores resolver ir ao cinema de novo e convencer pelo menos mais duas pessoas, o filme já faria perto dos cinco milhões de espectadores”.

“Pirataria” e a luta pela cultura livre

A questão sobre a legalidade de se baixar filmes e música na internet ainda não é absolutamente clara. Não há consenso absoluto se, no Brasil, é ilegal fazer isso. Mas há quem lute para que não seja, para que a informação não possa mais ser controlada como propriedade privada em nenhum lugar e para que a internet não seja controlada por nenhum governo.
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Se não estará provado, pelo menos haverá mais um caso no qual a distribuição livre da informação mais ajudou a gerar receita do que atrapalhou.
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Já, se comparado a “Carandiru” – o nacional que teve a melhor a abertura desde a retomada –, o Tropa de Elite ficou 38% abaixo. Em relação a “Cidade de Deus” foi 90% melhor. E ainda, comparado a “Dois Filhos de Francisco” - o filme brasileiro que alcançou o maior número de espectadores nos últimos anos – teve um desempenho 46% acima.

(fonte: Banco de dados do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do município do Rio de Janeiro. Via Chico Neto no Radinho)

Haverá uma mudança de atitude?

Aos poucos o próprio mercado está percebendo que na internet não adianta, e não vale a pena, tentar controlar a informação e mantê-la como propriedade privada. Jornais como o NY Times recentemente liberaram seu conteúdo, que antes era pago. Lojas de música como a nova da Amazon estão vendendo arquivos para download sem DRM.

Será que vai demorar até a indústria cinematográfica entender como funciona a internet?

Gilberto Alves Junior (gilbertojr@gmail.com) é um dos criadores da Desta.ca e mantém um blog sobre Web 2.0.
Leia na íntegra em http://webinsider.uol.com.br/index.php/2007/10/10/a-luta-em-tropa-de-elite-e-a-luta-pela-cultura-livre/