O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
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quarta-feira, 14 de maio de 2008

O preço da gasolina e o futuro

Deu no Correio da Cidadania:
Escrito por
Diomedes Cesário da Silva
13-Mai-2008
Você já deve ter lido que a gasolina nos postos dos EUA é mais barata que no Brasil. Mas, se lá os moradores têm poder aquisitivo superior ao daqui e se importam mais da metade do petróleo consumido internamente, por que isso acontece? Considerando nossa baixa estima de subdesenvolvidos, a resposta imediata poderia ser: porque são mais eficientes e capazes que nós. Na verdade, não é bem assim.
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A diferença, entretanto, aparece nos impostos: são cerca de US$ 1,20 na Europa, US$ 0,60 no Brasil, US$ 0,40 no Chile, US$ 0,30 na Argentina e apenas US$ 0,10 nos EUA. Os dados, com informações mais detalhadas sobre outros combustíveis e o detalhamento dos impostos pagos, podem ser vistos no sítio http://www.petrobras.com.br/, clicando no título ‘Para você e seu automóvel/Composição de Preços’.
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Os engarrafamentos cada vez maiores nas grandes cidades como Rio e São Paulo, o aumento desenfreado de venda de carros, os gastos com estradas, viadutos e desapropriações para abrir espaço para os novos veículos devem nos fazer parar para pensar qual o modelo que devemos seguir: o americano que está sendo forçado a mudar, ou o europeu, incentivando o transporte de massas?
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O petróleo é matéria prima para milhares de produtos, do plástico ao remédio e a química fina. Temos de ter em mente que é um recurso não renovável, formado ao longo de milhões de anos e não temos o direito de esgotá-lo predatoriamente em detrimento das futuras gerações, vendendo hoje o que terão que importar a um custo muito superior amanhã.
Diomedes Cesário da Silva é vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET). Leia na íntergra em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1798/58/

terça-feira, 18 de março de 2008

O pré-sal e o enigmático futuro brasileiro

Deu no Brasil de Fato:
Lula anteviu um "Iraque" em nosso território e suspendeu o leilão da ANP; agora é necessário retirar da Petrobras a missão de "honrar seus acionistas"
17/03/2008
Carlos Lessa
Toda profissão tem cacoetes lingüísticos. O geólogo brasileiro denomina os campos submarinos de petróleo existentes abaixo de um enorme e espesso lençol de sal de pré-sal. O geólogo ordena o mundo de baixo para cima. O sal dificulta e encarece a extração, porém preserva um óleo leve e de ótima qualidade.
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A Petrobrás foi em frente. Perfurou ao longo do mar, desde Espírito Santo até a Bacia de Santos, em busca do pré-sal. Tudo leva a crer que existam campos no mar em uma área de até 800 quilômetros de extensão por 200 quilômetros de largura. As estimativas oscilam entre 30 e 50 bilhões de barris no pré-sal - não é um delírio nacional, esta é a avaliação do Credit Suisse. Hoje temos 14 bilhões de barris provados. Com Tupi, Carioca, Júpiter e seus `compadres`, chegaríamos às reservas atuais da Rússia e da Venezuela.

Um novo Eldorado

O óleo do pré-sal é leve. O Brasil pode confiar nos geólogos, cientistas, engenheiros e tecnólogos que desenvolveremos a tecnologia para estes campos muito profundos e com espessas camadas de sal. Ao Eldorado Verde da Amazônia, descobrimos um Azul, no pré-sal; um novo Eldorado pelo brasileiro e para o brasileiro. Este é o sonho. Pode-se converter em um pesadelo.
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Após o 11 de setembro, os EUA destruíram os talibãs e, desde então, acusaram o Iraque (100 bilhões de barris) de dispor de armas nucleares. Destruído Saddam, não se descobriu nenhum armamento não convencional. Transferiram, imediatamente, para o Irã a acusação de estar se nuclearizando. Mergulharam de ponta-cabeça no Oriente Médio, pois têm sede de petróleo - aliás, a China e a Índia também.
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Leilões da ANP

A primeira pergunta que ocorre é: o petróleo do pré-sal é nosso? Logo depois: até quando? O neoliberalismo já promoveu nove rodadas de leilões.

A ANP - instituição que no passado seria denominada de 'entreguista' - pretendeu acelerar uma nova rodada nos blocos do pré-sal. Com clarividência, o presidente Lula suspendeu a rodada e solicitou à ministra Chefe da Casa Civil que estudasse uma nova legislação de regulamentação da economia do petróleo. Creio que Lula anteviu um possível 'Iraque' em nosso território. O presidente sabe que a Petrobrás pode, técnica e financeiramente, desenvolver Tupi e outros campos do pré-sal. Sabe que não se brinca com soberania na 'Amazônia azul'. Nossa Marinha de Guerra precisa do submarino nuclear; nossa Aeronáutica precisa de mísseis e da Base de Alcântara, porém quem garante que não seremos acusados de belicismo?
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A premissa maior é reassumir a Petrobrás como empresa estratégica para o futuro desenvolvimento brasileiro e escudo protetor de uma geopolítica potencialmente ameaçadora. Para tal, é necessário retirar da companhia sua medíocre missão atual: "honrar seus acionistas". Aliás, o Dr. Meirelles, com o desejado fundo soberano, poderia converter o Banco Central em 'acionista', recomprando as ações que os governos liberalizantes venderam para estrangeiros.

A diretoria da Petrobrás, em vez de saber a cotação da ação em Wall Street, deveria estar articulada com o presidente da República, expondo ao Brasil o modo de manter o Eldorado em nossas mãos.
Carlos Lessa é economista e ex-presidente do BNDES. Artigo publicado originariamente no jornal 'Valor Econômico'
Leia na íntegra em http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/o-pre-sal-e-o-enigmatico-futuro-brasileiro

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O apagão é uma questão de preferência?

Deu no Correio do Brasil:
Por Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni - de São Paulo

Quando se pensava que a lição de 2001 já tinha sido aprendida, termoelétricas movidas a gás importado vão sendo empurradas novamente como sendo a única alternativa ao “apagão”. Mesmo que elas aumentem muito as tarifas, e diminuam a competitividade de nossos produtos.

Afinal, onde será que erramos novamente? Por que ainda estaremos dependendo de combustíveis não renováveis, caros, causadores de efeito estufa e importados de regiões de conflito para garantir o futuro do nosso crescimento? Será tudo culpa das leis e órgãos ambientais, como é a voz corrente?Estará mesmo esgotado o potencial hidráulico já dimensionado de 260 mil MW, quando nós ainda só aproveitamos 60 mil MW? Será proibitivo o custo das linhas para trazer essa energia ao sul-sudeste? Ou será que estamos todos muito tranqüilos, pensando que haverá motores a explosão e geradores suficientes para gerar energia elétrica com bio-diesel, quando o “apagão-anunciado” chegar?
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Será que a culpa dessa queda é da legislação ambiental, que já estava em vigor desde 1988? Será que sozinha ela terá provocado, de repente, essa queda brusca de 80%? Seja lá como for, essa “queda na produção” da Aneel foi a causa pela qual, somando os últimos quatro anos, 10.800 MW deixassem de se tornar disponíveis para construção. Mais da metade de uma nova Itaipu. (ver documento)
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Então, se isso for verdade, como explicar que, espantosa e contraditoriamente, nos últimos quatro anos, a aprovação pela Aneel de projetos de pequenas centrais hidroelétricas tenha quadruplicado, saltando de 220 MW/ano até 2002 para 800 MW/ano entre 2003 e 2007?
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Se somarmos grandes e pequenas centrais, veremos que houve uma redução de 50% da aprovação de projetos hidroelétricos pela Aneel no atual governo, já que foram aprovados apenas 1395 MW/ano depois de 2003, contra 2936 MW/ano nos quatro anos anteriores. Isso faz com que em quatro anos, a potencia total que deixou de ser aprovada, comparativamente com os quatro últimos anos de FHC tenha sido de 6164 MW a menos, ou 15% de toda a demanda no horário de ponta!
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Outra diferença é que, para diminuir a burocracia e estimular os investidores privados, esses potenciais são concedidos pela Aneel sem licitação, enquanto que as usinas normais são concedidas mediante leilões públicos. Será esse o motivo da grande quantidade de projetos aprovados de pequenas centrais? Será esse um indício de que tenha ocorrido interferência de grandes investidores ou de políticos sobre a agência, deslocando pessoal dos grandes projetos, que tem menos chances de serem manipulados?
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Mesmo assim, é preciso averiguar se os projetos de pequenas centrais foram incorretamente priorizados com designação de mais pessoal a ponto de prejudicar o resultado final, em termos da potencia aprovada. Se isso ocorreu, será preciso verificar se houve uma ordem nesse sentido e de onde terá partido.Ou se foi algo que aconteceu de forma espontânea, pois frente à uma eventual demora de solução problemas ambientais das grandes usinas, os analistas poderiam ter sido deslocados para a aprovação das pequenas, para não ficarem de braços cruzados.
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Olhando agora para o futuro, o relatório de acompanhamento de projetos da agência, informa que estão em análise mais 13 projetos, com 2680 MW e estudos de viabilidade de 10 usinas, totalizando de 16.503 MW em 23 usinas. E que existem 8310 MW em estudos de viabilidade aprovados que ainda não foram leiloados. Estão sendo analisados 220 projetos de pequenas centrais totalizando 2627 MW. Somando tudo, são novos 27400 MW, ou mais da metade de nossa demanda atual no horário de ponta, esperando aprovação da agência.
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Já prevejo que se diga que a culpa é nossa, empreendedores e projetistas, que teimamos em continuar acreditando no crescimento econômico previsto pelo governo e levando para a Aneel analisar, nossos projetos de pequenas centrais.Do mesmo jeito que os passageiros mais pobres, ansiosos por voar, chegaram a ser culpados durante a crise aérea.
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Quanto isso custaria? Quase nada frente aos custos de um novo “apagão”. Principalmente para os mais pobres e sem qualificação profissional, que são os primeiros a serem demitidos em caso de retração da economia. Aliás, nós da classe média, precisamos mudar nosso conceito sobre um “apagão” de qualquer tipo. Pois aquilo que para nós é um “incômodo”, pode significar “olho da rua” para muitos trabalhadores, pais e mães, acabando com os sonhos de milhões de famílias, que os novos empregos apenas começaram a fazer tornarem-se realidade...
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Mas como funciona o processo de obter uma autorização da Aneel para gerar energia? A legislação determina que a agência exija dos interessados, num determinado prazo, um projeto de engenharia. Este, para ser analisado pela agência deve atender uma série de requisitos e contenha estudos topográficos, hidrológicos, geotécnicos e o protocolo dos estudos ambientais. Acontece que alguns interessados querem ganhar muitas autorizações da Aneel, ao mesmo tempo.E para fazer economia, entregam os projetos sem ter negociado a indenização das terras, sem os estudos ambientais completos e sem os estudos de sondagem geotécnica. Isso porque eles querem ter certeza, antes, de que vão ganhar as autorizações, para depois gastar. Outros empreendedores, para produzirem mais energia, constroem suas barragens acima do nível estabelecido no projeto aprovado pela Aneel, inundando não só mais áreas, mas a casa de máquinas das centrais projetadas rio acima.Como era de se esperar, nem o ministério publico nem todos os prejudicados por esses espertalhões se conformam e recorrem à diretoria da Aneel e depois à justiça, atrasando o início da obra por anos e anos.
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Temos fundadas esperanças de que os novos dirigentes da Aneel possam tornar ainda mais transparentes do que já são, os procedimentos de autorizações, conferindo ainda mais isonomia e publicidade à verificação da entrega tempestiva e do aceite dos estudos e projetos, reduzindo a possibilidade de que sejam entregues incompletos, provocando decisões que possam se contestadas no judiciário, principalmente em virtude do não atendimento da legislação, não só ambiental, mas do serviço público. Com certeza, se forem pesquisados, existirão formas para isso ser feito sem violação do sigilo e do direito autoral, que hoje são alegados para evitar que parte do processo de fiscalização seja feita pelos próprios concorrentes, como acontece com as licitações reguladas pela Lei 8666/93.
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Haverão outras, mas essas são providencias essenciais para que os projetos aprovados saiam do papel, livrando o Brasil, suas indústrias e principalmente o seu povo desse “apagão-anunciado”. Que é melhor do que o “apagão-surpresa” de 2001, mas que ameaça o crescimento econômico sustentável, que após tantos anos de retração, com grandes esperanças, estamos hoje experimentando.

Engenheiro eletricista, empresário do ramo de consultoria. Foi Diretor de Planejamento e de Distribuição da COPEL; Companhia Paranaense de Energia. Em 2002, trabalhou no grupo do plano de governo do então candidato Luis Inácio Lula da Silva para energia. Desde 2000 é diretor da ENERCONS Consultoria em Energia Ltda (ivo@enercons.com.br).
Leia na íntegra em http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=126896