O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

EUA e UE apóiam políticos ligados ao crime organizado

Deu no Brasil de Fato:
Michel Chossudovsky
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Os Estados Unidos, a União Européia e as Nações Unidas (ONU) estão apoiando um governo no Kosovo encabeçado por um reconhecido criminoso, o primeiro-ministro Hashim Thaci. Esse cargo foi criado pelo governo provisório aprovado pela Missão Interina de Administração das Nações Unidas em Kosovo (UNMIK, na sigla em inglês).
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O Partido Democrático do Kosovo encabeçado pelo ex-comandante do KLA Hashim Thaci é essencialmente um desdobramento do antigo Exército de Libertação do Kosovo. O apoio encoberto dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao KLA vem desde meados da década de 90. No ano anterior ao bombardeamento de 1999 da Iugoslávia, o KLA era claramente apoiado pela administração Clinton.
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“Alguns membros do Exército de Libertação do Kosovo [liderados pelo atual primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaci] financiaram os custos da guerra através da venda de heroína e foram treinados em campos dirigidos pelo fugitivo internacional Osama bin Laden – procurado pelos bombardeamentos em 1998 de duas embaixadas estadunidenses na África, responsáveis pela morte de 224 pessoas, dos quais 12 eram americanos.
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Os relatórios mostram igualmente que houve terroristas islâmicos que se alistaram ao KLA – membros de Mujahidin – como soldados no seu conflito em curso contra a Sérvia, e que muitos já haviam sido contrabandeados para o Kosovo e juntaram-se ao combate.
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O Christian Science Monitor, em agosto de 2000, descreve a rede criminosa controlada por Thaci: “Um policial da ONU suspeita que grande parte da violência e intimidação veio de antigos membros do KLA, especialmente dos aliados de Hashim Thaci, o antigo líder do KLA e chefe do Partido Democrático do Kosovo, um dos braços políticos do KLA.
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Potencialmente, o partido de Thaci tem muito a perder nas eleições, que são apenas municipais. Depois de as forças sérvias terem retirado no ano passado, o KLA ocupou sedes de municípios e de instituições públicas por todo o Kosovo, e criou o seu próprio governo provincial.
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"Estes sujeitos não estão em vias de abandonar o poder facilmente", diz Dardan Gashi, analista político junto ao International Crisis Group, uma organização de investigação com sede nos EUA e com um gabinete em Pristina.
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Responsáveis dizem que o problema é pior na região Drenica do Kosovo, a área central do KLA e a fortaleza do partido de Thaci. Srbica, onde Koci é o presidente local do LDK, é uma das cidades principais em Drenica. (Christian Science Monitor)
Fundação Heritage: Apoia o KLA-KDP, apesar das suas ligações ao mundo do crime
Num relatório de Maio de 1999, a Fundação Heritage reconheceu que o KLA é uma organização criminosa. No entanto, pediu à administração Clinton apoio ao KLA.
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O afastamento agora do KLA privaria os Estados Unidos das vantagens de cooperar com uma força de resistência que é capaz de apoiar as pressões sobre Milosevic para negociar. (Ibid)
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O KDP manteve as suas ligações ao crime organizado. De uma forma geral, esta é a posição da “comunidade internacional” sobre o Kosovo. Recentemente, a Fundação Heritage, que tem um papel importante nos bastidores que definem a política externa estadunidense, tem pressionado pela “independência” do Kosovo.
Hashim Thaci
É uma evidência que o primeiro-ministro do Kosovo nunca cortou as ligações ao crime organizado.
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De acordo com o ministro da Justiça sérvio, Vladan Batic, “o processo em Haia no Tribunal Internacional tem mais de 40 mil páginas de provas contra o antigo líder do Exército de Libertação do Kosovo, Hashim Thaci”. (citado por Radio B92, Belgrado, 03/Julho/2003).
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De uma forma geral, a Missão da ONU atuou como um elemento de proteção de um sindicato do crime. Em novembro de 2003, começaram em Belgrado as acusações contra vários ex comandantes do KLA. Estes incluíam Hashim Thaci, Agim Ceku e Ramush Haradinaj. O nomes de Haradinaj e Ceku estão em listas da Interpol.
Agim Ceku
Agim Ceku é conhecido por sistematicamente ter cometido crimes de guerra na região de Krajina, na Croácia, em meados da década de 90, envolvendo o massacre e a limpeza étnica da população sérvia. Foi brigadeiro-general no Exército croata e um dos planificadores da Operação Tempestade, que levou à expulsão de várias centenas de milhares de sérvios da região de Krajina. Em 1999, foi nomeado comandante do KLA, com o apoio dos EUA e da Otan. Depois foi nomeado comandante da Corpo de Proteção do Kosovo, subsidiado pela ONU (conta da folha de pagamentos) e tornou-se primeiro-ministro do Kosovo em 2006, tendo-lhe sucedido Hashim Thaci, atual primeiro-ministro.
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A mídia ocidental: desinformação quanto à natureza do governo do Kosovo
O governo do Kosovo está ligado a sindicatos de crime organizado e envolvido em tráfico de narcóticos e seres humanos.
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Os EUA e a União Européia estão a apoiar a criminalização da política no Kosovo. 12/Fevereiro/2008
* Michel Chossudowsky é do Centro de Pesquisas sobre a Globalização e autor de A globalização da pobreza Este texto foi originalmente publicado em Global Research Tradução de Luís Guedes Leia na íntegra em http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/eua-e-ue-apoiam-politicos-ligados-ao-crime-organizado

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Perigo! O Irã ameaça atender à ONU

Deu no Correio da Cidadania:
Escrito por Luiz Eça
19-Out-2007


Mohamed El Baradei, Prêmio Nobel da Paz e diretor geral da Agência de Energia Atômica da ONU, acredita que a crise vai acabar. O Irã concordou em esclarecer tudo sobre seu programa nuclear e permitir inspeções minuciosas em todos os locais onde a Casa Branca acusa estarem sendo produzidas bombas atômicas. Só resta algum receio iraniano de que a assinatura de um sub-protocolo ao Tratado de Não-Proliferação permita ações de espionagem.
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Logo que El Baradei reportou o acordo a que chegara com o país dos aiatolás, Bush apresentou ao Conselho de Segurança propostas de novas e muito mais duras sanções contra Teerã. Vetadas pela China e a Rússia, o fiel Sarkozy levou essas medidas terríveis à consideração da Comunidade Européia, num claro desrespeito à ONU. Embora apoiado pela previsível Inglaterra, não conseguiu nada diante da oposição da Áustria, Itália e até da Alemanha. Numa atitude que faria inveja a Blair, seu ministro, o ex-socialista Kouchner, anunciou, então, sanções pela França mesmo que sozinha.
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A custo, El Baradei conseguiu um prazo até novembro para que o Irã demonstrasse de forma irretorquível sua boa vontade, cumprindo tudo o que se havia proposto.
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As razões são muitas. Saindo do Iraque, os americanos perderiam fatalmente o controle do país, que se aliaria aos seus irmãos xiitas, que são governo no Irã. As imensas jazidas de petróleo, que os americanos pretendem conseguir mediante contratos que estão tentando impor, poderiam sair de suas mãos. O suprimento de petróleo do Oriente Médio, vital para os Estados Unidos, não estaria garantido pela provável hegemonia do Irã na região.
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Ora, a expansão destes dois países depende fundamentalmente de energia suficiente, da qual, aliás, são carentes. O Irã, quarto país mundial em jazidas de petróleo e segundo em gás, pode atendê-los. Além disso, controla o estreito de Ormuz por onde passa o tráfego de petrolíferos da Arábia Saudita e outros países árabes. Dominando o Irã, diretamente ou através de um governo títere, os Estados Unidos terão todas as condições para conter as ambições da China e da Índia.
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Em novembro, é bem possível que o problema desapareça sozinho, com os iranianos atendendo às solicitações da Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU. O que poderiam então alegar os decepcionados Bush e falcões americanos e europeus? Fácil. Aferrarem-se à proibição de enriquecer urânio é uma possibilidade. Outras seriam as ameaças contra Israel, o apoio ao terrorismo e aos xiitas iraquianos que “matam our boys”, para citar as mais óbvias.
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Se os iranianos admitirem total transparência não há porque proibi-los de enriquecer o urânio necessário a seu programa de uso pacífico da energia nuclear. Já foi claramente provado que Ahmadinejad jamais falou em “varrer Israel do mapa”, pois tal frase foi erradamente traduzida. O Hezbolah, apoiado por Teerã, não pratica o terrorismo, é um movimento reconhecido legalmente no Líbano. Usou armas do Irã para defender seu país do invasor israelense, esse sim municiado pelos Estados Unidos, num ato pelo menos eticamente condenável. Não está provado que o governo iraniano forneça armamentos às milícias xiitas, mas isso não seria nada reprovável, uma vez que elas estão em guerra com os sunitas, inclusive com a Al Qaeda que, por sinal, tem promovido grande numero de atentados suicidas contra bairros habitados por xiitas.
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Afinal, como disse o lobo ao cordeiro: “se não é você que está turvando a água que eu bebo, deve ter sido seu pai”.

Luiz Eça é jornalista.
Leia na íntegra em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/994/51/