O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Agua e petróleo, a mesma moeda

Deu no Vi o Mundo:
Por Amyra El Khalili*
A América Latina vive hoje uma guerra intestina, mas silenciosa, em pequenos focos espalhados pelo continente, mas que podem eclodir a qualquer momento num emaranhado de ações e convulsões sociais se não estivermos preparados para novos enfrentamentos econômicos e políticos.
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Se o Oriente Médio sofre por ter seus recursos naturais espoliados, a América Latina sofre com a servidão ao sistema financeiro internacional. Sofre com a usura das altas taxas de juros, a especulação financeira, o endividamento e é vitimada pela corrupção endêmica.
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Construímos na América Latina a nossa cultura americana árabe, agregando valor à cultura miscigenada dos povos latino-americanos. O carisma, a vontade de trabalhar, a diplomacia e nossa maneira de ser deram a nós, árabes e descendentes, uma vantagem comparativa para negociar e realizar parcerias.
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Não faz sentido que os recursos obtidos pela exploração do petróleo árabe funcionem como lastro para o sistema financeiro que hoje os bombardeia.
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Contra uma globalização que tenta extorquir nossos recursos naturais e estratégicos, somente uma nova globalização cultural, inter-racial e inter-religiosa.
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O mundo árabe tem sua economia centrada nos recursos energéticos não renováveis, um “privilégio” pago com milhares e milhares de vidas. Faz-se estratégico e vital migrar para a energia renovável, com todo conhecimento e tecnologia acumulados ao longo de décadas por aqueles produtores de petróleo.
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Infelizmente, pouco exportamos em linha reta para o mundo árabe, pois as rotas de comercialização ou foram reduzidas ou foram fechadas para os países em desenvolvimento. Produzimos laranja no Brasil, exportamos in natura ou suco para a Itália, onde é reprocessada e embalada com a marca "made in Italy" e reexportada para os países árabes. Assim, ficamos com todos os riscos de produção, custos de financiamento, encargos e tributos, enquanto as indústrias estrangeiras ficam com a parte gorda dos lucros.
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Os fundos islâmicos não aplicam em juros, mas podem muito bem financiar a produção de longo prazo, desde que tenhamos também nesses contratos, a contrapartida dos investimentos de base em educação, saúde, agricultura, ciência, cultura, cooperativas de produção, entre outros.
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No âmbito nacional e continental, é vital que parcerias e acordos garantam a preservação e o uso público e social das bacias hidrográficas e águas subterrâneas transfronteiriças. Trata-se não só de uma questão ambiental e social, mas de soberania e segurança internacional. A crise hídrica mundial que se prenuncia pode transformar o ora pacífico continente no cenário de disputas cruentas como as que têm lugar hoje no Oriente Médio.
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A alternativa é a estruturação de uma rede de investimentos, parcerias e comercialização, que garanta o monitoramento, a fiscalização e a orientação de negócios e projetos sócio-ambientais na América Latina.
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Estes são, em resumo, os principais pontos do pronunciamento elaborado por Amyra El Khalili, Eduardo Felício Elias e Além Garcia e encaminhado por Claude Fahd Hajjar ao Primeiro Congresso Fearab América-Liga de Estados Árabes, realizado no Cairo, Egito, entre 10 e 12 de julho de 2006. Esperamos que sirvam de ponto de partida para um amplo debate sobre o futuro deste nosso planeta.

Fontes:

Entrevista por Sandro C. Cardelíquio com Amyra El Khalili - Água e Petróleo, a mesma moeda - para a Revista Eco Spy - Ano 2, n. 07 - Novembro/2006. Editora Risc. www.ecospy.com.br.

Misleh, Soraya. Entrevista com Amyra El Khalili. Do Oriente à América Latina, a cobiça por recursos naturais. Revista Al Urubat - Sociedade Beneficiente Muçulmana de São Paulo. Fevereiro 2007 - nº 785. www.sbmsp.org.sp

El Khalili, Amyra. Elias, Eduardo Felício. Garcia, Além. Boletim 0999 [BECE REBIA] Cúpula do Cairo: Tratado Água e Petróleo, a mesma moeda. Pronunciamento encaminhado por Claude Fahd Hajjar ao Primeiro Congresso Fearab – Federação das Entidades Árabes Americanas e Liga de Estados Árabes, realizado no Cairo, Egito, entre 10 e 12 de julho de 2006 (Documento BECE). 06 de Agosto de 2006.
(*) Amyra El Khalili* é economista, presidente do Projeto BECE (sigla em inglês) Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais. É também fundadora e co-editora da Rede Internacional BECE-REBIA (www.bece.org.br), membro do Conselho Gestor da REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental, do Conselho Editorial do Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br) e da Revista do Meio Ambiente (www.rebia.org.br). É professora de pós graduação com a disciplina "Economia Sócioambiental" na Faculdade de Direito de Campos de Goytacazes, pela OSCIP Prima Sustentabilidade e MBA pela UNOESC, entre outras. Indicada para o "Prêmio 1000 Mulheres para o Nobel da Paz" e para o Prêmio Bertha Lutz. email: (bece@bece.org.br)

Leiam na íntegra em http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/agua-e-petroleo-a-mesma-moeda/

Entrevista de
Amyra El Khalili para a Gazeta do Povo (Paraná): http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/agua-para-promover-a-paz/

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Carter no Oriente Médio

Deu no Vermelho:
por
Lejeune Mirhan*
Um dos fatos mais importantes na política do Oriente Médio, ocorrido na semana passada, foi um giro que o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter fez no Oriente Médio, na semana passada. Passou pela Palestina e por Damasco, capital da Síria, que ainda é considerada como um país, pelo governo Bush, que apóia o terrorismo. Irritou profundamente o atual presidente estadunidense. Não poderíamos deixar de repercutir a visita.

Jimmy Carter

A história política desse ex-presidente americano (nascido em 1924) tem a sua marca maior quando ele derrota Gerald Ford nas eleições americanas de novembro de 1976. Ford, como sabemos, era vice-presidente de Nixon, Republicano, que assumiu a presidência quando este renunciou para evitar ser cassado em 1973, no escândalo de Water Gate. Carter o derrota fragorosamente em 1976 e assume a presidência dos Estados Unidos em janeiro de 1997 e governa até 1981. Ele não consegue ser reeleito, pois é derrotado por Ronald Reagan nas eleições de 1980. Ai, a história nós conhecemos bem, o sistema e modelo neoliberal ganham força não só nos estados Unidos, como no mundo todo, pois desde o ano anterior, em 1979, Margareth Thatcher havia vencido as eleições na Inglaterra com o Partido Conservador.
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Esses acordos de paz fizeram com que Israel devolvesse ao Egito essas terras. Em troca disso, o Egito reconheceria o Estado de Israel. Foi o primeiro país árabe a fazer isso. Na verdade, até hoje o único que reconhece. Tais acordos de paz renderam duas coisas: o prêmio Nobel da Paz para os três artífices dessa paz muito específica (e discutível inclusive, na medida em que não foram devolvidas as terras palestinas, nem as sírias ao norte de Israel) e a morte de Sadat em um grande e cinematográfico atentado realizado por fundamentalistas islâmicos.
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A segunda crise que ocorre, é a ocupação soviética do Afeganistão. Essa ocupação, dizem alguns analistas, foi para a URSS o que o Vietnã foi para os EUA. Um desgaste imenso. Foi o período que a CIA financiou os guerrilheiros muçulmanos afegãos, sob comando de Osama Bin Laden, para resistirem à ocupação soviética. Era a época que esses guerrilheiros eram saudados pela imprensa norte-americana como “guerreiros da liberdade”, pois lutavam contra a URSS (hoje são todos terroristas).
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Não poderíamos deixar de registrar a tal política de direitos humanos implementada pelo governo Carter. Ainda que isso pudesse ter como objetivos atingir a China, como ainda hoje se tenta atingir, especialmente agora com as olimpíadas, isso atingia frontalmente as ditaduras latino-americanas que foram se enfraquecendo, apesar de Reagan em seguida vir a fortalecer algumas delas. Há quem diga que a partir do encontro com Geisel em 1977, teria iniciado o processo de abertura política no Brasil.

O giro no Oriente de Carter

O que mais surpreende a visita que Carter fez à Damasco é a escolha do país que esta na lista americana dos que apoiariam o “terrorismo”. Encontrou-se com duas pessoas emblemáticas na política do mundo árabe. Uma delas é o próprio presidente da Síria, Bashar Al Assad, que é odiado pelos americanos. E outra ninguém menos que o líder e uma espécie de mentor intelectual do Hamas, que é o Khaled Meshaal, considerado um dos maiores “terroristas” pelos americanos.
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Carter fez dois pedidos expressos ao líder do Hamas. O primeiro deles é que o grupo libertasse o soldado israelense seqüestrado em junho de 2006, chamado Gilad Shalit. A segunda proposta é que o Hamas reconhecesse Israel. É sabido por todos que a carta de princípios do Hamas, de fundação do grupo, nega o direito de Israel existir. Até mesmo quando de sua passagem por Israel, Carter sofreu boicote do gabinete israelense. O único ministro que aceitou conversar com ele foi Eli Yishai, do Ministério do Comércio, que é ligado ao partido religioso chamado Shas. Ninguém mais aceitou conversar com o ex-presidente americano.
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A grande imprensa demonstrou má vontade com essa visita. Mas claro, eles fazem o jogo dos sionistas e de Bush. Anunciaram o fracasso da visita, quando na verdade, houve avanço. O Hamas, mesmo que não reconheça Israel, anunciou que poderia aceitar a decisão de reconhecer, desde que tomadas em um plebiscito que participassem os palestinos e desde que Israel retornem às fronteiras de 1967, que é a grande reivindicação da Autoridade Nacional Palestina, desocupando todas as terras e desmontando todas as colônias judaicas (mais de 230 com 250 mil moradores, ao que acho quase impossível de ocorrer). Mas, foi a primeira vez que veio esse sinal do lado do Hamas.

Não tenho nenhuma ilusão e não podemos nos enganar e tomar posições sectárias e esquerdistas. Foi positiva essa visita e isso coloca em cheque total a política externa dos Estados Unidos, nos ajuda a ampliar as contradições no campo adversário e colocam Bush e seus acólitos na defensiva e os isolam cada dia mais. Fortalece nosso campo no Oriente Médio. Vamos monitorar os desdobramentos.
*Lejeune Mirhan, sociólogo da Fundação Unesp, arabista e professor. Presidente do Sindicato dos Sociólogos, membro da Academia de Altos Estudos Ibero-árabe de Lisboa e da International Sociological Association Leia na íntegra em http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=36528

quarta-feira, 26 de março de 2008

Invasão do Iraque mudou balanço de forças no Oriente Médio

Deu na BBC-Brasil:
Rodrigo Durão Coelho
do Cairo
Cinco anos após seu início, a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos trouxe profundas conseqüências para os países vizinhos e alterou o balanço de forças da região, segundo analistas ouvidos pela BBC.
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O analista diz acreditar que uma das principais mudanças ocorridas na região desde 2003 foi um reposicionamento das forças sunitas e xiitas.
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Os conflitos não se espalharam pela região, mas acabaram promovendo uma aproximação entre grupos sunitas e xiitas de diferentes países.

O Irã ser aproximou do movimento Hezbollah no Líbano e do governo sírio, representando os xiitas. Do lado dos sunitas, houve um fortalecimento de laços entre os governos de Arábia Saudita, Egito e parte da população no Líbano.

Irã e o Hezbollah

"O Irã sempre teve grandes ambições regionais. Sob o regime do xá (governo pró-americano deposto pela Revolução Islâmica de 1979) promovia políticas ocidentalizadas, mas, após 1979, mudou radicalmente", afirma o analista político jordaniano Mustafá Hamarne.
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Sob Saddam Hussein, a minoria sunita (20% da população iraquiana) dominava a maioria xiita. Com a queda do regime, os xiitas assumiram grande parte do poder, o que acabou motivando conflitos com os sunitas. Nesse contexto, uma aliança da classe política xiita iraquiana com os vizinhos iranianos foi considerada um passo natural.
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"O Hezbollah , apoiado pelo Irã, se tornou a força política mais poderosa do Líbano, formando um Estado dentro do Estado", afirma ele.
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"O Hezbollah quer reproduzir no Líbano o que aconteceu no Iraque, onde os xiitas se tornaram os principais atores políticos do país", diz Khashan.
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A estrada para Damasco

Quando ocorreu a invasão de 2003, muitos analistas cogitaram a hipótese de que, após a rápida queda do regime de Saddam Hussein, o Exército americano iria derrubar também o governo sírio, apontado no ano anterior pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, como um dos países integrantes do que chamou de ‘Eixo do Mal’.
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"Mas depois se viram imersos em uma situação difícil no Iraque, suas ambições ficaram limitadas e agora pedem ajuda, querem nossa colaboração", diz ele.
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"Temos um milhão e meio, dois milhões (de refugiados). Eles compartilham de nossos bens como comida e combustíveis. São um peso para a economia síria, mas os acolhemos e não recebemos ajuda alguma", afirma Jabbour.

Turquia

Enquanto a violência entre sunitas e xiitas levou à morte de dezenas de milhares de pessoas em grande parte do Iraque, o norte do país, o semi-autônomo Curdistão iraquiano viveu em relativa tranqüilidade.
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Considerada uma das maiores etnias sem Estado do mundo, os curdos habitam uma grande região do Oriente Médio, incluindo partes de Turquia, Iraque, Irã, Síria e Armênia. Os governos da região se opõem ao projeto de um Estado curdo.
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Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Bilkent, na Turquia, Ersel Aydinli, "a crescente autonomia dos curdos (no Iraque) complicou as coisas para a Turquia porque os seguidores do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), dentro e fora de nosso país, conseguiram uma justificativa para o separatismo."

Israel e territórios palestinos

As tentativas de se por um fim ao conflito entre palestinos e israelenses não avançaram nestes últimos cinco anos. Para o conselheiro do ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina, Abdel Husni, isso ocorreu porque os Estados Unidos, tradicionais mediares do confronto, estiveram muito ocupados com o Iraque.
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Já Israel, que por um lado viu com bons olhos a queda do tradicional inimigo Saddam, afirma que, devido à conjuntura regional, o país não está mais seguro.
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"Este apoio é muito mais significativo porque não se trata apenas de dinheiro e armas, mas é também ideológico."

"Isso leva os terroristas do Hamas e do Hezbollah à uma guerra final, sem objetivo racional, que inclui o atentado suicida, algo que não acontecia no regime de Saddam."
Leia na íntegra em http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/03/080317_iraq_analise_rc.shtml

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Inépcia da gestão Bush no Oriente Médio fortalece grupos terroristas

Deu no Correio da Cidadania:
Escrito por
Virgílio Arraes
22-Ago-2007


Diante do insucesso militar e político no Iraque, o que havia motivado a ascensão de um governo xiita, a gestão Bush anunciou, há apenas poucos dias, a possibilidade de vendas significativas de armamentos de alto teor tecnológico para países aliados no Oriente Médio – basicamente Arábia Saudita, Israel, avaliado como a única democracia da região, e Egito -, sob a justificativa de oposição ao terrorismo e de contraponto ao Irã. Apenas para o governo saudita, a quantia está em torno de 20 bilhões de dólares.
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Registre-se que quinze dos seqüestradores dos quatro aviões do 11 de setembro de 2001 eram de nacionalidade saudita e haviam sido financiados a partir de seu próprio país – todos eles obtiveram seus passaportes e receberam seus vistos norte-americanos normalmente, sem nenhum tipo de aviso ou de intercâmbio entre os respectivos serviços de espionagem de ambos os governos. Ademais, a Arábia Saudita foi um dos poucos países a manter relações diplomáticas regulares com o Afeganistão, no período em que era administrado pelo Taleban.
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Na visão dos planejadores estadunidenses, o comércio bilateral de armas reiteraria os bons vínculos políticos entre os governos, de maneira que haveria melhores condições para conter a movimentação fundamentalista de teor anti-americano em território saudita e, por conseguinte, refrear o apoio à oposição de permanência de tropas estrangeiras.
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A despeito de o governo saudita não ter tido êxito até o momento em estancar o extremismo, ele será premiado com uma modernização tecnológica em seu setor bélico, o que, por sua vez, poderá desembocar em uma corrida armamentista regional vigorosa e de longo prazo, em função da alta contínua dos preços do petróleo desde o início da segunda versão da Guerra do Golfo.
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Quanto ao Egito, é factível indicar que o apoio ao governo Hosni Mubarak ocorre em face da repressão aos grupos extremistas, diferentemente da Arábia Saudita – lá, desde 1981, em função do assassínio do Presidente Anwar Al Sadat, administra-se o país, de maneira praticamente ininterrupta, por meio do estado de emergência, o que permite reforçar o poder Executivo em detrimento do Judiciário na execução de determinadas medidas, como a efetivação de prisões por tempo indeterminado, se ligadas a suspeitas de terrorismo. Em muitos casos, são meros opositores da gestão Mubarak.

Acrescente-se que há outros fatores como o livre acesso ao canal de Suez e o relacionamento regular com Israel. Democracia e direitos humanos, de modo similar à Arábia Saudita, são minimizados pela diplomacia norte-americana, ao valorizar a estabilidade. Nesse sentido, o modelo egípcio pode inspirar vários formuladores norte-americanos com vistas a esboçar uma saída menos vexaminosa do Iraque e do Afeganistão.

Virgílio Arraes é professor de Relações Internacionais na UnB
Leia na íntegra em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/748/9/