O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
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domingo, 7 de setembro de 2008

O parto de uma Nação

Deu no Luis Nassif - Blog:
É extraordinário o que estamos testemunhando nesses tempos de Satiagraha: é o parto de uma Nação.
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Está-se em plena batalha da legalidade contra o crime organizado. Os jovens juízes, procuradores, policiais que ousaram arrostar décadas de promiscuidade estão no jogo. Se eventualmente forem calados agora, a decepção geral será o combustível para a reação de amanhã.
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Uma delas, a consolidação de valores republicanos – não necessariamente de práticas - como a impessoalidade no trato da coisa pública, a transparência cada vez maior, movimento acelerado pelo advento de novas tecnologias de informação, a reação contra a impunidade.
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Criou-se uma enorme Nação de rabo preso em um momento em que a disseminação de valores e de tecnologia definia novos níveis para a transparência.
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A falta de regulação e controle nos mercados, a existência de paraísos fiscais, a complacência das autoridades reguladoras (e da mídia) criaram uma imensa zona cinzenta onde se misturou a contravenção fiscal com a corrupção política, a simbiose de “figuras notáveis” com o crime organizado. A falta de um regramento adequado e de instituições que combatessem os abusos, permitiu essa promiscuidade ampla.
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Os novos atores

Aí entram dois atores. O primeiro, a mídia.

Já escrevi várias vezes sobre o tema, e volto a ele. Nesse ambiente promíscuo, parte da mídia passou a se valer da denúncia não como um instrumento de melhoria dos hábitos econômicos e políticos, mas como instrumento seletivo de poder. O esgarçamento dos critérios jornalísticos abriu espaço para os abusos que, agora, chegam a um ponto de alto risco para imagem da mídia.
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O segundo ator são os órgãos de repressão ao crime organizado, que surgem no início dos anos 90 e se consolidam a partir da gestão Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça.
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Tenho muito orgulho em ter contribuído de alguma maneira para preparar esse terreno para o combate ao crime organizado.
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No início de 2003, a convite de Márcio Thomaz Bastos dei uma das duas palestras de abertura do Seminário que ocorreu em Pirinópolis, juntando Ministério Público Federal, Polícia Federal, COAF, Banco Central, Secretaria da Receita Federal. Juntei as informações e análises que tinha coletado na cobertura da CPI dos Precatórios e dos esquemas de doleiros – que serviram de base para meu livro.
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Montou-se a organização, preparam-se os funcionários públicos e lhes foi conferida uma missão. E eles passaram a seguir o manual. Institucionalizava-se o combate ao crime organizado. E, institucionalizado, passava a se tornar, também, impessoal. Assim como em nações civilizadas, não havia mais intocáveis a serem preservados.

Nesse momento, deu-se o choque com o Brasil velho.

O choque do antigo

No início havia convivência estreita entre os dois poderes: a nova estrutura de repressão ao crime organizado e a mídia.
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A convivência prosseguiu enquanto órgãos de mídia entendiam que a aliança lhes garantia salvo-conduto. Explodiu quando se revelou a extensão da Operação Satiagraha.
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O jogo está no fim. Daqui para diante será esperneio. Continuarão assassinando reputações, promovendo factóides, manipulando ênfases. É possível que destruam Paulo Lacerda, Protógenes, De Sanctis e todos os que ousarem enfrentar esse tsunami. Mas não conseguirão parar a história.
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E não adianta tentar transformar essa guerra em um Fla x Flu, Lula x oposição, PSDB x PT. Não cola. É uma briga da lei contra o crime organizado. Há que se definir limites para evitar abusos. Mas o que está em jogo é a tentativa de desmonte dessa estrutura.
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É esse o país que vamos entregar para nossos filhos? É evidente que não.
Leiam na íntegra em http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=8828

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Luis Nassif desnuda a Veja

Paz e bem!

O jornalista Luis Nassif está publicando uma série de artigos que estão colocando a nú a situação da revista Veja.
Quem desejar acompanhar é só navegar em:
http://luis.nassif.googlepages.com/

domingo, 12 de agosto de 2007

Procura-se uma oposição

Do Luis Nassif Online:
12/08/2007 10:49

O PSDB está realizando suas convenções, tentando se situar como alternativa a Lula. Nos últimos anos perdeu o rumo, da mesma maneira que Lula e o PT perderam em 1994 após o Plano Real. Lula passou quatro anos falando sozinho por falta de discurso. Foi salvo pelos erros do câmbio, o “apagão” da energia elétrica de FHC e a enorme impopularidade do presidente.
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FHC juntou em seu governo o malanismo e um desenvolvimentismo que não se realizou no primeiro governo, e foi abortado pela crise cambial de 1999. Seu projeto de país era insuficiente, um mercadismo que consumiu grande parte dos recursos financeiros do Estado e meros esboços de políticas sociais. Tinha algumas iniciativas válidas, mas nunca chegava às “acabativas”. Deixou um modelo torto e incompleto.

O padrão Lula

O governo Lula permaneceu sem projeto de país, limitando-se a consolidar o modelo de governabilidade de seu antecessor, aprimorando as políticas sociais, é verdade, mas apanhando com os problemas de gestão – embora, hoje em dia, tenha um ministério bastante superior ao do primeiro governo.
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A grande esperteza política de Lula foi ter se apropriado do discurso mercadista de FHC-Malan. O PSDB acha que esse modelo tem futuro? Vá em frente, mantenha a ambigüidade, e conforme-se em ser oposição pelo resto da vida.

Olhando o futuro

Qualquer projeto de poder demanda visão estratégica pensando o futuro, não o presente. O cenário no qual a oposição poderá ganhar discurso será com o fim da exuberância irracional que tem caracterizado os mercados e a economia internacional. E não essa loucura de dar eco a essa oposição sistemática e escandalosa que, a cada dia, tem corroído a credibilidade da mídia e da oposição.

Com a crise, ficarão claras as vulnerabilidades do governo Lula:
  1. Os estragos no tecido econômico provocado pelas políticas monetária, cambial e fiscal irresponsáveis dos últimos três governos passarão a ser divulgados maciçamente pela mídia (hoje essa informação é sonegada porque interessa o câmbio apreciado).
  2. A ausência de um projeto nacional será muito mais notada.
  3. Mais do que nunca, haverá a necessidade de um governo que junte as forças nacionais para enfrentar o período de vacas magras.
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A conclusão final é que, mantido esse estado de coisas, a vinda da crise – que poderia significar mudanças profícuas, reforçando o discurso da oposição e obrigando o governo a acertar o rumo – vai apenas estimular o radicalismo da campanha.
enviada por Luis Nassif
Leia na íntegra em http://z001.ig.com.br/ig/04/39/946471/blig/luisnassif/2007_08.html#post_18923679