O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
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sábado, 15 de setembro de 2007

Os EUA, a bomba e a moeda

Deu na Alainet:
José Luís Fiori


O presidente do banco central norte-americano, Bem Bernanke, já definiu em Wyoming, no primeiro fim de semana de setembro, a sua posição frente à crise imobiliária que se alastra a partir dos Estados Unidos: não é responsabilidade do FED proteger financiadoras e investidores das conseqüências de suas decisões; mas é obrigação de todo banco central impedir que as crises financeiras atinjam a economia real, e impeçam o bom funcionamento dos mercados. A mesma posição defendida pelos presidentes dos BCs da Europa, Inglaterra, Japão, Austrália e Canadá, que se mantém, até o momento, cautelosos e receptivos, à espera da reunião mensal do FED, no dia 18 de setembro, que decidirá a nova taxa de juros da economia norte-americana. Mas apesar disto, o dilema do Sr Bernanke vem crescendo a cada hora que passa, sob pressão das forças políticas e econômicas internas dos Estados Unidos, e dos demais governos que sustentam, neste momento, o crescimento da economia mundial. Uma coisa é certa: qualquer que seja a sua decisão final, ela terá conseqüências negativas, no médio e no longo prazo, dentro e fora dos Estados Unidos. E não é fácil de definir o que seja “menos pior”, numa situação como esta: a reativação imediata dos mercados e da atividade econômica, dentro dos Estados Unidos, através da desvalorização do dólar, pode provocar, logo a frente, uma nova bolha e um aumento do protecionismo econômico que já vem sendo defendido, pelos candidatos democratas à eleição presidencial de 2008; mas a proteção da moeda americana, através de uma recessão purgativa, pode escapar ao controle da autoridade monetária e ter um impacto mundial em cadeia, de duração e efeitos imprevisíveis. De qualquer forma, o presidente do FED não é representante da humanidade, e tomará suas decisões a partir dos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Por isto mesmo, neste momento, o maior medo que ronda o mundo, é que a decisão americana desencadeie uma “guerra de moedas”, mesmo que ela não seja desejada por Bernanke e por nenhum dos BCs envolvidos com a crise. Mas apesar destas boas intenções, não é impossível que esta guerra venha a ser travada, porque no campo econômico, como no campo geopoolítico “ a própria potencia ganhadora é que costuma desestruturar sua “situação hegemônica” (1)
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Como explicar este paradoxo, de que a internacionalização econômica seja ao mesmo tempo, a grande responsável pelo renascimento e fortalecimento periódico do nacionalismo econômico? Se olharmos para a história, veremos que o sistema econômico mundial, que se formou a partir da Europa, depois do século XVI, foi sempre constituído por estados, economias e moedas que competiram e lutaram permanentemente entre si, para aumentar a sua riqueza nacional, sem jamais abrir mão de sua identidade econômica nacional.. Através da conquista de territórios econômicos supra-nacionais, cada vez mais extensos, onde pudessem impor suas moedas, e onde seus capitais financeiros pudessem usufruir de vantagens monopólicas. Por outro lado, sempre foram estes mesmos estados e economias nacionais vencedoras que lideraram a expansão capitalista, e que conseguiram ao mesmo tempo “internacionalizar” as suas moedas, dentro de uma região, ou à escala global, como no caso da Libra e do Dólar, nos séculos XIX e XX. O que chama a atenção é que mesmo depois de sua internacionalização, a riqueza e os capitais destes países sempre tiveram que se expressar e realizar em alguma moeda nacional, e só conseguiram se internacionalizar porque mantiveram seu vínculo com a sua própria moeda nacional, ou com a moeda nacional de algum estado mais poderoso.

Deste ponto de vista, neste sistema mundial em que vivemos, toda decisão monetária, da autoridade responsável por alguma “moeda internacional”, sempre terá efeitos contraditórios e provocará danos que fortalecerão, no médio prazo, a vontade competidora dos seus concorrentes e de suas moedas. Por outro lado, também se pode afirmar que neste mesmo sistema, qualquer projeto de “moeda mundial” será sempre uma fantasia ideológica, ou uma estratégia defensiva, como no caso do “Bancor”, que foi proposto por John M, Keynes, na Conferência de Bretton Woods, em 1944, e rejeitado pelos Estados Unidos. Harry D. White, o chefe da delegação americana, era “keynesiano”, mas não era idiota, nem estava num pic-nic acadêmico. Representava os interesses dos Estados Unidos, e de sua moeda nacional vitoriosa, o dólar, que cumpriu o papel da “bomba de Hiroshima”, na construção hierárquica da nova ordem monetária internacional, depois de 1945.

(1) Fiori,J.L., “Estranha forma de governar o mundo”, no Valor Econômico do dia 28 de março de 2007
Leia na íntegra em http://www.alainet.org/active/19568〈=pt

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Anatomia de uma crise financeira de alcance planetário

Deu no Resistir.info:
por Michael R. Krätke [*]
Quatro semanas atrás o mundo ainda parecia estar em ordem: a economia mundial e os mercados financeiros estavam no apogeu. Agora temos um crack bursátil a prazo que desagua numa crise do mercado monetário: os bancos centrais não deixam de injectar capital nos mercados financeiros. Na Alemanha, o Banco Regional da Saxónia está em sérias dificuldades e teve de ser resgatado pelas caixas económicas e outros bancos regionais com uma dose para a sobrevivência de 17,3 milhões de euros. O estado da Saxónia garante esta soma extremamente incomum, que ultrapassa o seu orçamento anual.
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Mais de 5 milhões de casas à venda nos EUA

O que se passou? Nos EUA explodiu uma gigantesca bolha imobiliária. Juros baixos, preços imobiliários em aumento constante (até 20% ao ano nos melhores lugares), um mercado hipotecário em expansão hiperbólica, mantiveram a economia dos EUA a trote. O boom alimentava o consumo privado, o endividamento das famílias estado-unidenses subia desaforadamente até chegar, em média, a 120% do rendimento anual, constituído em três quartas partes por dívidas hipotecárias. Os bancos hipotecários e os fundos imobiliários ofereciam crédito barato às pessoas, inclusive àqueles que nunca teriam podido permitir-se possuir casa própria. A ruína previsível de inúmeros proprietários de casas não representava o menor problema, enquanto, é claro, se mantivesse o boom. Os bancos e as sociedades financeiras ganharam fabulosamente com isso, tal como a multidão de gestores imobiliários.
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Com a quebra espectacular, em Junho último, de dois hedge funs multimilionários pertencentes ao quinto maior banco estado-unidense de investimentos – Bear Stearns – perderam-se, de imediato, 1.600 milhões de dólares. Além disso, as acções do Bear Stearns despenharam-se, tal como as de muitos outros fundos de investimentos, bancos e seguradoras: mais de 200 mil milhões de dólares perderam-se da noite para a manhã. A Wall Street estremeceu, e o resto dos mercados de valores do mundo reagiu de imediato. Pois o colapso dos fundos hedge era um sinal de alarme para todos os iniciados. Os bolsistas reagiram com pânico mas logicamente: pois os créditos atrasados encontram-se por toda a parte, e são bombas relógio colocadas não só no sistema financeiro estado-unidense como no mundo todo. Porque a bolha imobiliária só podia crescer na medida em que os financeiros continuassem a acreditar na possibilidade de por à venda, a qualquer momento, até os piores e mais arriscados créditos hipotecários. Esses créditos, tal como todos os demais tipos de dívida, assim como os pagamentos futuros de juros e amortizações, transformaram-se em mercadorias comerciáveis. De modo que até os créditos frouxos e ainda cambaleantes serviam de base a uma vertiginosamente expandida super-estrutura de derivados creditícios em mãos de especuladores profissionais. Créditos hipotecários e de outros tipos foram empacotados em massa e utilizados como garantia para novos títulos: os bancos hipotecários vendiam esses títulos respaldados por hipotecas (mortgage backed securities) transferindo assim o seu risco creditício para outros, para bancos, fundos de investimentos e seguradoras. Estes não se preocupavam com a qualidade da dívida hipotecária original, porque também eles, por sua vez, pretendiam vender esses títulos.
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Mas o que acontece quando todos os créditos que se encontram na base falham em massa? Então torna-se imperiosamente claro para os afectados que estão a cavalgar sobre uma onda de valores fictícios gerada por eles próprios. Uma vez que as garantias não são de nada, desvanece-se o valor dos títulos garantidos, os bancos querem a devolução dos dinheiros emprestados a curto prazo, os hedge funds não podem continuar a vender os seus títulos e entram em bancarrota. Em consequência, também aqueles bancos, seguradoras e fundos de investimento que financiaram a especulação com esses derivados vêem-se em apertos muito sérios. Uma vez que esses derivados foram comercializados à escala planetária, vêem-se subitamente em dificuldades bancos que jamais financiaram uma hipoteca nos EUA. Mas participaram – como o IKB, como o Westdeutsche e o Banco Regional da Saxónia e muitos outros – em hedge funds, quando não criaram os próprios, que especulavam com tais derivados creditícios. Suas perdas repercutiram através das cotações dos mercados de valores. Por todo o mundo, os valores financeiros despenharam-se e, à espera de uma onda de quebras, os investidores fugiram em massa. Também os bancos que jogam na primeira divisão, e que nada têm a ver com a especulação imobiliária, vêem-se agora em apertos.

As economia exportadoras chinesa e alemã e o fim dos mercados estado-unidenses

Caídos os primeiros bancos, como nos EUA, ou penosamente resgatados, como na Alemanha, principia o acto seguinte do drama: a crise do mercado monetário. Uma vez que os bancos sabem que todos os demais estão atolados, mas não com que profundidade, põem limites severos ao empréstimo inter-bancário, exigindo juros elevados para créditos a curto prazo. Por outras palavras: o sector mais estável dos mercados financeiros, o tráfego creditício inter-bancário, contrai-se subitamente. Só os bancos centrais podem então intervir como lender of last resort – como prestamistas de último recurso –, o que fizeram maciçamente durante dias.
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O fim do túnel ainda está muito longe de estar à vista. Os mercados de valores assinalam actualmente a descida de cotações mais abrupta dos últimos anos. Bancos e hedge funds no mundo inteiro continuam a afastar de si os derivados creditícios prenhes de risco que haviam financiado com dinheiro barato japonês; os créditos têm que ser devolvidos em yenes, logo dispara-se para cima o câmbio do yen e afundam as cotações em Tóquio. Virá agora a crise do dólar e, com ela, a crise do comércio mundial, de modo que para as economias exportadoras chinesa e alemã acabaram-se os mercados estado-unidenses.

05/Setembro/2007
[*] Estudou economia e ciência política em Berlim e Paris. Actualmente é professor em várias universidades alemãs e no estrangeiro, desde 1981 principalmente em Amsterdam. Co-editor da revista alemã SPW (Revista de política socialista e economia) e da nova edição crítica das Obras Completas de Marx e Engels (Marx-Engels Gesamtausgabe, nova MEGA). Investigador associado do Instituto Internacional de História Social, em Amsterdam. Autor de numerosos livros sobre economia política internacional.
O original encontra-se em http://www.refundacioncomunistapr.com/articulo_t.php?unitid=628

Leia na íntegra em http://www.resistir.info/crise/kratke_05set07.html

domingo, 19 de agosto de 2007

Até onde irá o crash e o que faremos nós?

Deu no Resistir.info:
por
Richard C. Cook [*]
Os disparadores imediatos estão a ser descritos muito bem: o colapso do mercado de hipotecas subprime dos EUA; a vulnerabilidade do resto da economia à ressaca dos subprime, devido à "eficiência" dos mercados na diluição do risco; a super-extensão à escala mundial do crédito barato; o fracaso de grandes investidores institucionais e firmas de corretagem da Wall Street quanto ao comportamento responsável; e os efeitos a longo prazo dos défices comercial e fiscal dos EUA os quais agora retornam à casa de modo permanente.
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As causas do declínio do M1 são de duas ordens. Uma é o fraco poder de compra dos consumidores americanos, pois pelo menos a metade dos emprego pagos decentemente no sector manufactureiro foram eliminados pelo outsourcing, pelas fusões e pelas melhorias de produtividade durante as últimas duas décadas. A outra é que apesar de muitas das corporações americanas não conectadas ao sector habitacional terem estado a fazer tudo certo, o seu êxito dependeu de investimentos além mar, tais como a GE e a GM que investiram fortemente na China.
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Mas como relatou Barron no principio deste ano, grande parte dos lucros das corporações globais estão a ser mantidos como rendimentos retidos para crescimento futuro, ao invés de serem transferidos para os accionistas como dividendos. Devido à pesada carga de dívida que hoje oneram as corporações, elas actuam num modo crescer ou morrer. Mais uma vez, o resultado é o deficiente poder de compra que actua negando o já duvidoso efeito gotejamento.
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Estas bolhas menores reflectiram as grandes que estão a estourar quando os prestamistas perdem confiança na capacidade dos prestatários de reembolsar. Estas são a bolha imobiliária, que afecta os consumidores; a bolha da aquisição, que afecta os equity funds; e as bolha da especulação, que afecta os hedge funds.
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A enlamear as águas está o facto de que hoje o Dow Jones médio é muito menos confiável do que no passado como medição da saúde económica. Isto ocorre porque actualmente a grande maioria das transacções financeiras já se verifica dentro do segredo furtivo dos mercados equity, hedge e derivativos. Ninguém sabe realmente o que está em andamento, excepto quando um dia qualquer surge o anúncio de que mais um fundo ou companhia foram liquidados.
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O que parece estar a acontecer agora é que o Federal Reserve, que fiscaliza a economia americana em nome das elites financeiras, corporativas e governamentais, está deliberadamente a tentar retirar tanta dívida quanto possível para fora da economia. Ele está a fazer isto com taxas de juros que são elevadas nas actuais condições, enquanto tenta evitar o cenário do Armagedão.
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Mas "liquidez" é apenas um lindo nome para mais empréstimos. A única coisa de que podemos estar certos é que todo empréstimo tem encargos de juros os quais algum dia, de alguma forma, terão de ser pagos por uma pessoa que trabalha para viver.
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O perigo, que está a ser destacado por muitos comentadores, é que o Fed desencadeie uma hiper-inflação, a qual pode estar a acontecer e pode realmente ser intencional por desvalorizar dívidas. É o que acontece quando dívidas são utilizadas para pagar dívidas e isto é de facto um imposto invisível. Tal inflação é difícil de perceber, maQueda do valor dos imóveis nos EUA.is uma vez por causa das enganosas estatísticas do governo. O mais importante indicador a observar é o preço do petróleo, o qual não é mostrado no índice do chamado "núcleo inflacionário" ("core inflation").
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Enquanto isso, há um debate sobre se agências quase-públicas como Fannie Mae e Freddie Mac deveriam ser utilizadas para disseminar as perdas do mercado habitacional por toda a população contribuinte. Enquanto a sociedade como um todo é tornada mais pobre, muito indivíduos que podem ser perdido as suas casas ou os seus empregos são poupados de algum sofrimento. É difícil argumentar contra isto. Mas este tipo de salvação (bail-out) beneficiaria mais proprietários individuais de casas do que os grandes bancos, de modo que os políticos conservadores e os comentaristas opõem-se a isto.
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O Fed quer ver uma recuperação por essa altura de modo a que o público americano volte a dormir e eleja um outro político que proteja firmemente os privilégios e poderes dos magnatas que, através dele, dominam o mundo. Mesmo que um novo presidente tenha algumas ideias progressistas, ele ou ela não serão capazes de alterar muito se uma recuperação tiver começado.
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Os piores temores dos financeiros é que as coisas fiquem tão más que o povo americano reeleja um reformador em 2008. Até agora a imprensa corporativa tem mantido nas sombras dois dos tais reformadores — Ron Paul e Denni Kucinich. Agora que Hillary Clinton começa a soar mais progressista, ataca-a abertamente uma vez que é um actor demasiado grande para poder ser ignorado. O Washington Post já começou.
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Durante este período vimos vários fenómenos inter-relacionados: 1) taxas de juro muito mais altas do que no período anterior do New Deal e na sua sequência, que durou até a década de 1960; 2) inflação que corroeu 80 por cento do valor do dólar; 3) substituição da nossa economia de produção industrial por uma economia de serviços dominada pela alta finança; 4) guerra quase contínua com um objectivo claro de dominação mundial cujo propósito é escorar o dólar como a divisa de reserva do mundo; 5) dívida pública, privada e imobiliária sempre em aprofundamento; 6) o fosso sempre crescente entre ricos e pobres, com números em crescimento de pobres, sem casa e famintos que são relegados para fora da vida económica do país; 7) uma crise na infraestrutura em desmoronamento do país; e 8) a constante espoliação de mais de 200 milhões de pessoas comuns.
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É um quadro horrível criado por um sistema odioso. Eis porque líderes religiosos durante milhares de anos caracterizaram a usura, e uma cultura regida pela usura, como um crime contra Deus e a humanidade. O domínio monetarista do Federal Reserve é a usura legal e institucionalizada. Ao longo dos anos eles dominaram todas as ferramentas do comércio, cujo objectivo é permitir continuamente que a superestrutura financeira desnate a economia produtiva. Não é como a Mafia costumava trabalhar com a sua protecção e chantagens de empréstimos extorsivos?
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O crédito a baixo custo sob a fiscalização do governo federal foi bloco de construção básico do New Deal. Isto foi feito por pessoas fortes com um ideal de serviço público, embora sob muitos aspectos elas não fossem suficientemente longe e confiassem demasiado na Segunda Guerra Mundial e nos armamentos para alcançar uma economia de pleno emprego. Agora precisamos de um New Deal para o século XXI que corrigisse os viéses do anterior, resolvesse a crise actual e nos transportasse para um futuro que beneficiasse a todos, não apenas uns poucos privilegiados.

18/Agosto/2007

[NT 1] O Federal Reserve cessou de publicar os dados da oferta de moeda M3 do dólar americano em 23 de Março de 2006. Ver http://www.federalreserve.gov/releases/h6/discm3.htm . O M3 é a quantidade de moeda disponível numa economia para a compra de bens e serviços.

[*] Analista federal aposentado. Trabalhou na U.S. Civil Service Commission, na Food and Drug Administration, na Casa Branca sob Carter e na NASA, bem como 21 anos no Departamento do Tesouro dos EUA. Seus artigos sobre reforma monetária, teoria económica e política espacial tem aparecido em Global Research, Economy in Crisis, Dissident Voice, Atlantic Free Press e outras publicações. É autor de Challenger Revealed: An Insider's Account of How the Reagan Administration Caused the Greatest Tragedy of the Space Age Seu sítio web é www.richardccook.com .

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=6575
Leia na íntegra em http://www.resistir.info/eua/crash_18ago07.htm

sábado, 18 de agosto de 2007

Estados Unidos: insolvência e liquidez na crise

Deu no Resistir.info:
por Alejandro Nadal


Os assessores de George W. Bush explicaram-lhe a crise muitas vezes, mas dizem que ele não entende. Na quinta-feira passada, a uma pergunta apresentada em conferência de imprensa na Casa Branca, o brilhante estadista disse que a culpa era dos devedores que firmaram hipotecas sem saber o que estavam a fazer. A conclusão está num programa de alfabetização financeira, concluiu o senhor Bush. Neste momento em que centenas de milhares (talvez até um milhão) estão a perder as suas casas, essas palavras estabelecem um novo padrão de estupidez no país que nos deu o Ídolo Americano.
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Por que há tanto lixo financeiro sob a forma de hipotecas de má qualidade (subprime) no mercado)? Esse lixo financeiro, surgido do sector imobiliário, nasce com a expansão de liquidez nos anos 90, parte da herança deixada por Greenspan. O importante é que muitas destas operações foram de má fé do lado dos credores: sabiam perfeitamente que as novas hipotecas seriam impagáveis e que mais adiante poderiam apropriar-se das garantias para rematá-las. Enquanto o Fed eliminava alegremente regulações para o sector bancário e financeiro, entre 1996 e 2005 os tubarões procuravam vítimas no mercado hipotecário dos créditos subprime.
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Os contratos hipotecários podem ser vendidos em mercados secundários e por isso foram objecto de um intenso processo de colocação em bolsa. Mas ao surgirem terrores de insolvência esses títulos só puderam continuar a refinanciar-se a taxas de desconto muito elevadas. Por fim, este mês, travaram-se as vendas. Hoje muitos grandes bancos estado-unidenses encontram-se a nadar num mar de títulos derivados ancorados em má qualidade creditícia (irrecuperáveis). Ao não poderem ser refinanciados, esses títulos devem ser incluídos nas suas folhas de balanço, o que implica perdas. A ironia é que a Reserva Federal manteve uma posição laxista frente às necessidades de reservas bancárias e hoje reverte todo o processo e vê-se obrigada a injectar liquidez. Este estado de coisas não vai mudar senão quando ressuscitar o segmento hipotecário do mercado financeiro.
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Que efeitos pode ter a injecção de liquidez feita pelos bancos centrais em face da crise? Se o problema fosse só de liquidez, essas medidas poderiam ter certa lógica. Mas desgraçadamente o diagnóstico aproxima-se mais de um quadro de insolvência. Neste contexto, a injecção de liquidez pode provocar um incêndio maior. De qualquer forma aumenta o risco moral, pois é um prémio aos especuladores ("aqui há mais dinheiro para que possam continuar a fazer as suas malfeitorias"). No fim, a única coisa que se consegue é adiar o ajuste. Sob estas condições, a aterragem não será suave e as repercussões serão muito graves.

O original encontra-se em http://www.jornada.unam.mx/2007/08/15/index.php?section=opinion&article=029a1eco
Leia na íntegra em http://www.resistir.info/eua/insolvencia_15ago07.html