O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
Mostrando postagens com marcador movimentos sociais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador movimentos sociais. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Com razão e com limites

Deu no Correio da Cidadania:
Escrito por
Wladimir Pomar
05-Set-2007


Na luta política, para conquistar aliados e criar um movimento contra inimigos poderosos, é preciso combater com razão e com limites. Isso é verdade tanto para governos populares, ou de coalizão, quanto para a luta pela reforma agrária. Há governos populares que supõem ser possível desprezar os interesses de alguns setores sociais da sociedade, da mesma forma que algumas lideranças camponesas acham que podem descartar as classes médias urbanas de seu rol de aliados.

A razão dos camponeses, sem-terra ou com pouca terra, consiste em que o Brasil possui muitas terras disponíveis, e que essas terras se encontram extremamente concentradas nas mãos, tanto de latifundiários de novo tipo, capitalistas, quando de latifundiários de "velho tipo", neste caso em geral ociosas ou pouco produtivas. Também lhes dá razão o absurdo econômico e social de tantas terras ociosas em contraste com milhões de camponeses sem-terra ou com pouca terra.
[ . . . ]
Tais limites impõem à luta pela reforma agrária, mais ainda do que antes, uma escolha clara dos alvos a serem batidos, e das alianças que devem ser realizadas. Se as lideranças camponesas batem com a mesma força contra o "velho latifúndio" e o "novo latifúndio", unificando-os sob uma mesma mira, estão certamente reforçando os inimigos, ao invés de dividi-los, como manda a arte da política.
[ . . . ]
Nas condições do Brasil, quem quer que pretenda realizar algum tipo de reforma, seja a agrária ou outra, terá que contar com o apoio e participação das classes médias, por seu peso econômico, social e político. Pouco importa que até tenha razão em considerar egoístas ou mesquinhos seus interesses de classe. Terá que levá-los em conta porque, se elas estiverem do outro lado, poderão causar estragos profundos à luta popular. A história brasileira não é longa, mas tem muitas experiências a respeito.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.
Leia na íntegra em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/816/46/

sábado, 18 de agosto de 2007

A Urgência e o Infinito

Deu no Correio do Brasil:
Por Boaventura de Sousa Santos - de Coimbra

Todos os dias nos chegam notícias perturbadoras: o aquecimento global e a catástrofe ecológica cada vez mais iminente; a conspícua preparação de uma nova guerra nuclear; os milhões de pessoas que morrem anualmente de doenças que com um pequeno investimento mundial podiam ser erradicadas, como, por exemplo, a malária, a tuberculose e a SIDA; a manipulação da preocupação com um bem essencial à nossa sobrevivência, a água, para a privatizar e a transformar em mais uma fonte de lucro, tornando-a inacessível aos mais pobres; a bárbara destruição da vida no Médio Oriente e em Darfur em nome da democracia, do petróleo e da religião.
[ . . . ]
O primeiro sentimento impele-nos a pensar que algo tem de ser feito a curto prazo, pois de outro modo será provavelmente tarde demais. Parece ser do senso comum que se não atuarmos a curto prazo talvez não haja longo prazo. A angústia que este sentimento nos provoca aumenta quando verificamos que este senso comum não parece partilhado pelas instituições políticas que nos governam. As instituições nacionais não se sentem responsáveis por nada do que se passa além-fronteiras e os problemas globais com impacto nacional (como as mudanças climáticas), sendo da responsabilidade de todos, não são afinal da responsabilidade de nenhum país em particular. Por sua vez, as instituições internacionais reforçam-nos, no seu melhor, o nosso senso comum, mas o discurso da urgência é neutralizado pela prática da impotência já que, afinal, são reféns das instituições políticas nacionais.
[ . . . ]
Perante estes sentimentos contraditórios de urgência e de mudança civilizacional, de curto prazo e de longo prazo, estamos mais sós do que nunca. E se ninguém pode pensar ou agir por nós, porque não começarmos a pensar com mais autonomia e a agir coletivamente com mais inovação e ousadia? Por mais contraditório que pareça, será em nós que tanto as ações urgentes como as mudanças civilizacionais começarão. Ou então não começarão nunca.

* Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal). Leia na íntegra em http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=124465

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Carta aos Lutadores e Lutadoras do Povo

Do Movimento Consulta Popular:


Carta aos lutadores do povo elaborada na III Assembléia Nacional da Consulta Popular em Belo Horizonte em julho de 2007

Realizamos em Belo Horizonte – MG, de 17 a 21 de julho de 2007, a III Assembléia Nacional do Movimento Consulta Popular, onde reunimos mais de 200 delegados que atuam em diferentes frentes de lutas em todo o país.

Analisamos a natureza do desenvolvimento do capitalismo e da luta de classes nacional e internacional, onde a hegemonia do capital financeiro nos coloca diante de diversos desafios.
Diante disso, assumimos o compromisso de colocar todas as nossas energias para seguir organizando a classe trabalhadora, em defesa dos seus direitos e pela transformação social e política do país.

Com estes objetivos estabelecemos as seguintes tarefas a serem cumpridas pela nossa militância:

1 – Organizar e mobilizar as forças sociais para lutarem contra o capital, que domina a nossa economia, gera pobreza, e ameaça os direitos sociais e previdenciários da classe trabalhadora;

2 – Lutar para impedir a implantação dos projetos econômicos que devastam o meio ambiente, privatizam as águas e se apropriam das terras brasileiras;

3 – Defender a soberania alimentar, energética e política de nosso país;

4 - Impulsionar as lutas por melhores condições de vida no campo e na cidade, garantindo o acesso a terra, moradia, educação, saúde, distribuição de renda e a ampliação dos direitos previdenciários;

5 – Insurgir-se contra a monocultura, os plantios de cultivos transgênicos, a utilização de insumos agrícolas químicos, a apropriação e destruição da biodiversidade

6 – Lutar contra todas as formas de discriminação, violência policial e criminalização dos pobres e dos movimentos sociais;

7 – Enfrentar e combater todas as formas de ingerência imperialista em qualquer parte do mundo.

Para garantirmos que estas tarefas se realizem, precisamos fortalecer a nossa organização da Consulta Popular nos empenhando cada vez mais:

1 – No estudo, no conhecimento e na compreensão da realidade brasileira;

2 – Empenhar-se para elevar a consciência e a auto-estima do povo brasileiro;

3 – Estimular todas as formas de lutas sociais;

4 – Formar um número cada vez maior de militantes, preparados para as tarefas das lutas sociais;

5 – Participar e contribuir na construção da Assembléia Popular em nossos Estados e no maior número de municípios;

6 – Priorizar o trabalho da organização da juventude em especial nos grandes centros urbanos;

7 – Seguir construindo meios de comunicação da própria classe trabalhadora com instrumentos de formação política, valorização e resgate da cultura popular;

8 – Intensificar a disputa de idéias na sociedade através do debate do Projeto Popular para o Brasil;

9 – Contribuir com a unidade entre todas as forças organizadas da classe trabalhadora;

10 – Praticar a solidariedade permanente com todos os povos em luta no mundo, em especial com o povo da Palestina, Iraque, Haiti, Cuba e Venezuela.

O conjunto de decisões políticas e organizativas nos colocam em um novo momento de nosso processo de construção.

Reafirmamos hoje o compromisso, expresso nas cartas da I e II Assembléia Nacional: “Construiremos uma organização de novo tipo, dirigida para a luta, e cujas marcas são a unidade, a disciplina militante e a fidelidade ao povo. Uma organização que pratica os valores da solidariedade, da gratuidade, da honestidade e do trabalho coletivo. Isso é condição para que possamos enfrentar a crise, de dimensão histórica, que vive o Brasil. Uma crise cuja superação exigirá lutas e sacrifícios, que serão recompensados pela construção de uma pátria livre, justa e solidária.”

Somos a Consulta Popular.

Pátria Livre, Venceremos!
Belo Horizonte, 21 de julho de 2007

Extraído de http://www.consultapopular.org.br/documentos/carta-aos-lutadores-e-lutadoras-do-povo acesso em 02 ago. 2007.