O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.
Joaquim Nabuco, 1849-1910
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Recessão mundial assombra a Europa

Deu no Blog do Miro:

Estudos recentes indicam que o fantasma da recessão mundial, temido desde o estouro da bolha especulativa nos EUA, já assombra a Europa. A primeira nação do velho continente a sentir seus efeitos foi a ex-sólida Dinamarca. Na seqüência, as estatísticas apontaram crescimento negativo também nos dois países motores da União Européia. Pela primeira vez nos últimos quatro anos, a Alemanha registrou queda de 0,5% no Produto Interno Bruto no segundo trimestre, contra 1,3% de crescimento no primeiro. Já na França, a contração do PIB foi de 0,3% no mesmo período.
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Dura aterrissagem da economia

Chris Giles, articulista do Financial Times, foi um dos que alertou para este risco iminente. Para ele, as notícias dos últimos dias causam “certo choque” para os que acompanham a evolução da economia européia. “O grande medo é o de que a atual desaceleração se torne um ciclo vicioso no qual a fraqueza da economia abala o já frágil sistema financeiro. Para muitos, o que parece certo é a veracidade do velho adágio que diz que, quando os EUA espirram, o resto do mundo pega um resfriado. A conversa sobre descolamento – capacidade das economias de se manterem firmes diante da fraqueza norte-americana – se provou completamente falsa”.
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Abalo nos emergentes do Bric
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Roubini é bem mais pessimista do que Chris Giles, que vê vantagens na retração do mercado de commodities dos países chamados emergentes. De qualquer forma, as previsões de ambos, com base nas informações recentes sobre a retração da economia européia, não são nada animadoras. Como diz o ditado, aonde há fumaça, há fogo. O Brasil que se cuide para não arder em chamas.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Crises e hecatombes

Deu na Agência Carta Maior:
A crise atual poderá ser mais ou menos extensa e profunda, mas não será a crise terminal do poder americano, muito menos do capitalismo. Pode-se pensar numa hecatombe que destrua moedas e estados, mas com certeza, não será o caminho mais curto, nem o mais pacífico, para um mundo melhor.
José Luís Fiori
No início da década de 1970, o economista norte-americano, Charles Kindelberger, formulou uma teoria que exerceu grande influencia acadêmica e política, dentro e fora dos Estados Unidos. Segundo Kindelberger, “a economia mundial liberal precisa de um país estabilizador e só um país estabilizador" . Um país que forneça aos demais, alguns “bens públicos” indispensáveis ao bom funcionamento da economia internacional, como a moeda, o livre-comércio, e a coordenação das políticas econômicas nacionais.
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Os participantes deste debate tinham posições teóricas diferentes, mas quase todos compartiam a tese de que os Estados Unidos estariam vivendo seu “declínio hegemônico”, depois da “crise dos anos 70”. E mais recentemente, quase todos consideram que o fracasso americano no Oriente Médio, e o “derretimento do dólar”, neste início do século XXI, fazem parte já agora, de uma “crise terminal” da hegemonia americana.
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Começando pela “crise dos 70”: hoje se pode ver que não houve declínio, pelo contrário, foi na década de 70 que se definiram as novas políticas e regras responsáveis pela multiplicação exponencial da riqueza e do poder americano, no último quarto do século XX. Foi quando os Estados Unidos deixaram de ser “credores”, e passaram para a condição de “grandes devedores” da economia mundial. Mas ao mesmo tempo, sua dívida e sua capacidade de endividamento se transformaram no primeiro motor da economia mundial, destes últimos 30 anos. Foi também na década de 70, que o “padrão dólar-ouro” foi substituído pelo novo sistema monetário internacional “dólar-flexível”, lastreado, em última instancia, no poder americano, e nos seus títulos da dívida publica.
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Agora de novo, depois do fracasso das Guerras do Afeganistão e do Iraque, e da desvalorização do dólar, provocada pela crise financeira de 2007 e 2008, volta-se a falar no “colapso” e na “crise final” da hegemonia americana . Mas até o momento, ainda não se configurou uma crise estrutural ou global, nem existe sinal de que os Estados Unidos venham a desocupar sua liderança capitalista. Pelo contrário, apesar das suas dimensões, tudo indica ser uma crise “regular”, dentro de um sistema que é, por excelência, contraditório, instável e conflitivo. Dentro das novas regras e estruturas criadas a partir da crise dos 70, os Estados Unidos definem de forma exclusiva o valor de uma moeda que é nacional e internacional, a um só tempo, e que está lastreada nos títulos da dívida pública do próprio poder emissor da moeda.
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Por isto, as “bolhas” são sempre uma ameaça potencial para a economia mundial, mas não são apenas “capital fictício”, nem são apenas “especulação”. São mais do que isto, é um ciclo específico de valorização do capital, que só é possível dentro de um sistema monetário e financeiro desregulado e atrelado diretamente ao endividamento publico do governo americano.

A crise atual poderá ser mais ou menos extensa e profunda, mas não será a crise terminal do poder americano, nem muito menos, do capitalismo. Por enquanto, não é provável uma “fuga do dólar”, porque o euro, o yuan e o yen, não tem fôlego financeiro internacional. E acreditar na criação de uma moeda supra-nacional, é fugir para o mundo da fantasia, desconhecendo o sistema mundial em que vivemos. “Dentro deste sistema, não existe a menor possibilidade de que a liderança da expansão econômica do capitalismo possa sair das mãos dos “Estados-economias nacionais” expansivos e conquistadores, com suas moedas nacionais e com seus “grandes predadores”..” Por fim, como “ciência ficção”, pode-se pensar numa hecatombe que destrua moedas e estados, mas com certeza, não será o caminho mais curto, nem o mais pacífico, para um “mundo melhor”.
José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Leia na íntegra em http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3856

Um vôo de galinha

Deu no Vermelho:
por Umberto Martins*
Vôo de galinha foi uma expressão cunhada por alguns economistas para caracterizar os ciclos de produção do capitalismo brasileiro desde que por aqui se instalou o que o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Marcio Pochmann, chamou de crise do desenvolvimento.

O problema começou com a crise da dívida externa, que eclodiu em 1982 através da moratória mexicana e foi causada em grande medida pela violenta alta dos juros nos EUA, promovida de maneira unilateral para salvar o padrão dólar. Nessa crise foi comprometido seriamente o desenvolvimento das economias nacionais em quase toda a América Latina.

Os ciclos de crescimento tornaram-se mais curtos e instáveis, as recessões se sucederam com maior freqüência que durante o nacional-desenvolvimentismo (1930-80) e o resultado geral foi um recuo sensível das taxas médias de crescimento do PIB, a hiperinflação e a estagnação da renda per capita. O encurtamento do ciclo de prosperidade neste período motivou a comparação com o vôo tímido da galinha, ao qual a metáfora contrapõe o vôo da águia, mais alto e mais longo.

Singularidade da crise

Anos atrás, alguns observadores ainda apontavam o exemplo do comportamento da economia estadunidense, aparentemente muito saudável, em contraposição ao desempenho medíocre do PIB no Brasil, também designado de stop and go (pára e arranca). Hoje, já não se fala mais nisto, pois quem parece estar experimentando um autêntico vôo de galinha são os EUA, com a economia mergulhada em grave e profunda crise.
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A recessão de 2001

Os EUA viveram sua última recessão em 2001. Aparentemente, foi uma crise breve, que teria durado apenas os dois primeiros trimestres, em que o valor global da produção recuou. Reagindo aos estímulos do governo e à redução dos juros, o PIB voltaria a apresentar sinais positivos no segundo semestre daquele fatídico ano, apesar dos atentados contra as torres gêmeas em 11 de setembro.
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Fim das ilusões

O vôo de galinha da economia estadunidense transparece quando comparamos o crescimento do seu último ciclo com o anterior. Se considerarmos que a recuperação econômica teve início no segundo semestre de 2001, como sugere o comportamento oficial do PIB, verificamos uma expansão de seis anos.
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Ciclo parasitário

Ao longo do festejado boom verificado na última década do século 20, o Departamento de Comércio dos EUA inventou o falso conceito de Nova Economia (depois amplamente difundido) para caracterizar o ciclo de prosperidade, sugerindo que as tecnologias que revolucionaram as comunicações, criando a internet, subverteram as leis que orientam o processo de reprodução do capitalismo ianque de tal modo que as crises cíclicas teriam sido abolidas. A falácia certamente serviu à propaganda imperialista e ao unilateralismo da Casa Branca, mas não resistiu ao tempo.
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Unidade de contrários

Talvez mais do que em qualquer outra época, o novo ciclo de crescimento iniciado em 2001 refletiu os efeitos do crescente parasitismo no processo de reprodução do capitalismo nos EUA. Estimulado pela dramática redução das taxas de juros e ampliação do crédito, o crescimento da economia após a recessão de 2001 foi puxado pelo consumo, que passou a representar 70% do PIB (equivalia, em média, a 62% do valor da produção nos anos 1980).
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Expansão distorcida

O extraordinário avanço do consumismo não teve contrapartida na produção industrial doméstica, configurando o que o economista americano Robert Brenner chamou de “uma via distorcida de expansão” e que podemos caracterizar também como um ciclo de reprodução parasitário (3). Registre-se que o consumo esteve em expansão, de forma inusitada, mesmo durante a recessão de 2001, o que à primeira vista pode parecer um contra-senso. Todavia, já se sabe que o hiato entre produção e consumo encontra sua explicação nas relações que o imperialismo americano estabelece com o resto do mundo e no seu histórico desequilíbrio comercial.
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Ascensão da China

Graças ao avanço do déficit comercial entre 1992 e 2001, o comércio varejista criou 2,4 milhões de empregos, um aumento de 19%. No mesmo período, a taxa de lucro do ramo subiu todos os anos, num total de 57%, tendo inclusive um aumento de 8% mesmo durante a recessão de 2001, de acordo com Brenner.
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Atividade improdutiva

Se quisermos aprofundar a compreensão do processo de reprodução do capitalismo norte-americano é indispensável recorrer ao juízo fundamental e muito útil de Karl Marx sobre o caráter essencialmente improdutivo da atividade comercial (4). Recordemos que o comércio não produz valor. A criação de valor, ainda hoje, ocorre principalmente nos setores industrial, cujo comportamento, no interior da potência capitalista hegemônica, tem sido desastroso. Assim como os juros, aluguéis e impostos, o lucro comercial é subtraído da mais-valia criada no setor produtivo durante o processo social de redistribuição dos lucros entre os vários ramos em que se repartem os investimentos capitalistas.
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Taxa de acumulação

Com um pouco de imaginação, não será difícil deduzir que a hipertrofia do consumo e do comércio varejista, assim como dos bancos, em associação com a crônica anemia da indústria, são sinais de que o excedente econômico (mais-valia, lucro) gerado no setor produtivo está estagnado ou em queda.
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Em contrapartida, “entre 1994 e 2000 o lucro do setor financeiro dobrou”, de acordo com Brenner. “Já que, no mesmo período, o lucro do setor empresarial não-financeiro” (incluindo o comércio, que como vimos acima vai muito bem) “só aumentou 30%, o lucro do setor financeiro, em relação ao lucro empresarial total, pulou de 23% para 39%”. Uma das expressões do parasitismo é o avanço espetacular das atividades improdutivas, que em nada contribuem para a formação de poupança interna, muito pelo contrário.

Corrosão da poupança

O consumismo, quando exacerbado, revela-se inimigo da poupança. Ao aumento do consumo das famílias correspondeu uma redução substancial da taxa de poupança familiar, que em poucos anos declinou de 8% do PIB para um percentual inferior a 1%. Assim, a outra face da baixa acumulação no setor produtivo é a corrosão da poupança interna, que se tornou negativa ou “chocantemente baixa” nas palavras do economista Joseph E. Stigritz, o que amplia a necessidade de financiamento externo e traduz o parasitismo da sociedade estadunidense. Por definição, a diferença entre poupança e investimentos internos é igual ao déficit em conta corrente, que em 2007 alcançou mais de 800 bilhões de dólares, ou cerca de 7% do PIB norte-americano, e está recuando agora em função da forte queda do dólar.
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Explosão do endividamento

Sem o respaldo da poupança interna, o consumo parasitário, ou seja, maior que a renda produzida no país, só podia ser bancado (como de fato foi) pela explosão do crédito e do endividamento. O aumento dos gastos militares promovido por Bush, por seu turno, ampliou o déficit e a dívida pública, de modo que o modesto crescimento do PIB desde 2001 foi muito mais uma expansão da dívida do que da produção.
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Crise do imperialismo

Marcado de forma acentuada pelo parasitismo, a crise nos Estados Unidos não deve ser encarada como mais uma crise cíclica de curta duração, da qual a potência hegemônica tende a sair com tranqüilidade e mais forte do que antes, como sugerem alguns analistas (5). A turbulência financeira atual “é expressão da crise do imperialismo” e esta não é apenas conjuntural, conforme já assinalou o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo (6).
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Fim de uma era?

A reprodução do capitalismo norte-americano não pode ser bem compreendida se focalizarmos apenas o mercado interno. A forma com que a necessidade de financiamento externo do império vem sendo satisfeita determina o que Brenner chamou de padrão de desenvolvimento econômico internacional, que data da primeira metade da década de 1980 (quanto Tio Sam deixou de ser credor e passou a acumular sua gigantesca dívida externa).

“O aumento pronunciado da importação de produtos industrializados pelos Estados Unidos e do seu déficit comercial”, nota o economista estadunidense, “amplia o déficit norte-americano de transações corrente, expande o endividamento externo do país e alimenta o crescimento baseado em exportações de boa parte do resto do mundo, em especial do leste da Ásia”. Se o dólar continuar afundando, a hegemonia monetária dos EUA irá para o ralo e este padrão de desenvolvimento não será mais sustentável e terá de ser substituído. Não estamos diante de uma hecatombe ou de um colapso, mas o crescimento dos países ditos emergentes, com destaque para a China, em conexão com a redução da importância relativa do mercado estadunidense para o mundo, sugere que já ingressamos numa fase de transição e mudanças, embora ninguém possa antecipar o que virá, pois os partos e as transformações históricas não são indolores. Quem viver verá.


Notas

1-As referências do grande líder da revolução soviética ao conceito de parasitismo, que parece ter sido formulado originalmente pelo economista e historiador inglês John A. Hobson, podem ser encontradas no livro “O imperialismo, fase superior do capitalismo” e nos “Cadernos” de anotações acerca do tema, entre outros textos de W. I. Lênin.

2-No texto intitulado “Para a crítica da economia política”, de acordo com a tradução de José Arthur Giannotti e Edgar Malagodi, o pensador alemão disse o seguinte: “A produção é, pois, imediatamente consumo; o consumo é, imediatamente, produção. Cada qual é imediatamente o seu contrário. Mas, ao mesmo tempo, opera-se um movimento mediador entre ambos. A produção é mediadora do consumo, cujos materiais cria e sem o qual não teria objeto. Mas o consumo é também mediador da produção ao criar para os produtos o sujeito para o qual são produtos. O produto recebe seu acabamento final no consumo (...) Sem produção não há consumo, mas sem consumo tampouco há produção.”

3-A opinião de Robert Brenner pode ser conferida no seu excelente e profético ensaio intitulado “Novo boom ou nova bolha?”, publicado no livro “Contragolpes”, uma seleção de artigos da revista New Left Review, organizado por Emir Sader e editado pela Boitempo.

4- A diferenciação e interação entre o processo de produção e o processo de circulação das mercadorias foram exaustivamente analisadas por Karl Marx. No livro 3 de “O Capital”, em que disseca o processo global da produção capitalista, ele reitera suas idéias sobre o caráter eminentemente improdutivo do capital mercantil (comercial e financeiro). “O capital mercantil é capital que só funciona na esfera da circulação. O processo de circulação é uma fase do processo global de reprodução. Mas, no processo de circulação não se produz valor, nem mais-valia portanto. A mesma quantidade de valor experimenta apenas mudança de forma. Na realidade ocorre somente a metamorfose das mercadorias, a qual por si nada tem com criação ou variação de valor” (Karl Marx, “O capital”, livro 3, capítulo 16, CB, tradução de Reginaldo Sant´ana). O capital comercial, assim como o capital financeiro, apropriam-se, porém, de parte do lucro produzido no setor produtivo, que pode ser maior ou menor do que o lucro retido na indústria, na agricultura e nas atividades que produzem valor e mais-valia.

5- É o caso do professor José Luíz Fiori, cujo artigo intitulado “Crises e Hecatombes”, publicado pelo “Vermelho” dia 26 de março, (leia aqui) sugere que a hegemonia dos EUA, supostamente reafirmada no final dos anos 1970, ainda não está em questão.

6-Ver matéria publicada no “Vermelho” dia 19-08-2007 sob o título “Turbulência financeira é expressão da crise do imperialismo, diz Renato” (leia aqui)
* Umberto Martins, Jornalista, membro da Secretaria Sindical Nacional do PCdoB.
Leia na íntegra em http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34977

sábado, 12 de janeiro de 2008

A recessão nos EUA e seus reflexos

Deu na ALAInet:
Altamiro Borges

Agora não são somente os críticos do desastroso governo Bush que alertam. Até os economistas ortodoxos, ligados aos círculos financeiros, prevêem que os EUA entrarão em recessão em 2008. Numa enquete recente, a agência de noticias Bloomberg constatou que a maioria dos analistas de mercado avalia que o PIB do país sofrera retratação já neste primeiro trimestre. Goldman Sachs, Merrill Lynch e Morgan Stanley, poderosas máfias financeiras, também temem o pior, apesar das nuances nas analises entre os mais e os menos pessimistas – sem que haja nenhum otimista.
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O declínio do império
Segundo recente pesquisa da CNN, 57% dos estadunidenses avaliam que o país já se encontra em
recessão. Para David Brooks, do La Jornada, este pessimismo é compreensível. “Milhares
perderam suas casas com a crise da divida hipotecária, um em cada 10 padece de fome, o salário
real da grande maioria dos trabalhadores não melhora a mais de 30 anos... O ‘sonho americano’ se
define muito simplesmente: a nova geração gozará de melhor nível de vida do que a anterior. Mas
este mito fundamental no país está se desvanecendo rapidamente. Pesquisa recente detectou que
somente 16% acreditam que seus filhos terão melhores condições financeiras do que a sua”.
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Otimismo excessivo do BC
Diante deste cenário sombrio, que aterroriza os donos do capital, quais os reflexos no restante do
mundo? É certo que, mesmo combalida, a economia ianque ainda ocupa posição de destaque no
planeta. Caso entre realmente em recessão, toda a economia mundial será atingida – inclusive a
brasileira. Um dos efeitos será o da redução das importações, principalmente das dependentes e
limitadas commodities. Também poderá ocorrer fuga de capitais, inclusive nos investimentos
diretos, e quebradeira das poderosas multinacionais ianques, com os seus efeitos devastadores.
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É certo que o Brasil hoje está menos vulnerável aos humores externos. Até setores críticos da
política macroeconômica do governo reconhecem este avanço. O economista Paulo Nogueira
Batista Jr., por exemplo, não acredita que a retração nos EUA paralisará o crescimento brasileiro.
“A recessão americana teria que ser muito forte para produzir esse efeito... A menos que se
instaure um cenário externo caótico, a economia brasileira continuará crescendo. Mesmo que os
EUA entrem em recessão”. De qualquer forma, é bom se prevenir!

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB,
editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo”
(Editora Anita Garibaldi).
Leia na íntegra em http://www.alainet.org/active/21591〈=pt